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UFMG cria banco de fezes e já pode realizar transplante fecal

Procedimento consiste na transferência de microbiota (antes chamada flora intestinal) de pessoas saudáveis para pacientes com quadro grave de diarreia provocado pela bactéria Clostridium difficile

Leonardo Augusto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 17h41

BELO HORIZONTE - Uma técnica desenvolvida pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pode aumentar a eficácia no combate a uma superbactéria que ataca o intestino humano. O procedimento, chamado transplante fecal, consiste na transferência de microbiota (antes chamada flora intestinal) de pessoas saudáveis para pacientes com quadro grave de diarreia provocado pela bactéria Clostridium difficile, de tratamento complexo.

Responsável pelo projeto e coordenador do Instituto de Gastroenterologia do hospital, o professor Luiz Gonzaga Vaz Coelho afirma que o procedimento já foi realizado no Brasil, mas precisou ser aprimorado para que o tratamento atinja um número maior de pessoas.

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Uma das medidas foi a criação pelo Hospital das Clínicas da UFMG de um banco para armazenamento do material fornecido por doadores. Segundo o professor, o hospital adotou critérios internacionais para a escolha desses doadores.

"É feito um pente fino, com exames para detecção de vírus, vermes e doenças como hepatite", afirma Coelho. Conforme o professor, de um total de 30 candidatos a doador, quatro foram autorizados a fornecer o material. Ainda não há pacientes com tratamento indicado para o uso do procedimento em Minas. "Assim que esse paciente surgir estamos preparados para fazer o transplante", diz o professor.

Procedimento

O procedimento é como uma colonoscopia convencional, mas com a infusão do material, que fica armazenado em freezers, em temperatura de 80 graus negativos, e tem que ser utilizado dentro de seis meses. Após o prazo, os doadores são chamados para renovação e são submetidos a novos testes. Segundo o professor, com os equipamentos utilizados no procedimento o transplante pode ser realizado pela equipe do Hospital das Clínicas da UFMG em qualquer parte do País.

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A Clostridium difficile vem se tornando a principal causa de diarreia em ambiente hospitalar. "De 20% a 30% da doença de pacientes internados em hospitais é provocada por essa bactéria", afirma Coelho. A principal característica da Clostridium difficile, e que a faz ser considerada uma superbactéria, é que, quando um antibiotico é ministrado, se transforma em esporo, que não faz mal ao organismo. Com isso, a medicação não faz efeito.

Quando o antibiotico é suspenso, a Clostridium difficile volta a atuar, provocando novas diarreias. "Para esses casos, o melhor tratamento é o transplante de fezes", diz o professor.

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