UFRJ cria invenção para capturar mosquito da dengue

Batizada de 'mosquitérica', ratoeira genérica atrai fêmeas de todas as espécies de mosquito

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2008 | 21h34

O professor do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maulori Cabral, apresentou nesta quarta-feira, 12, a "mosquitérica", engenhoca que funciona como uma ratoeira genérica feita com garrafas pet.  Segundo ele, o experimento atrai as fêmeas de todas as espécies de mosquito, inclusive a do Aedes aegypti, para que coloquem seus ovos dentro dela, o que permite capturá-los, interrompendo o ciclo do vetor.  A idéia já foi patenteada pela universidade, mas não houve nenhuma proposta de comercializá-la até agora. Segundo Cabral, a mosquitérica deve ser usada como uma "ferramenta educacional", ou seja, o primeiro passo deve ser sempre eliminar todos os focos dentro de casa. "Ela é um termômetro para saber se os vizinhos também estão fazendo a sua parte", disse. Qualquer pessoa pode fazer a sua mosquitérica com recursos caseiros. Para isso, precisa apenas de uma garrafa pet, tesoura, um pedaço de microtule, uns cinco grãos de arroz, lixa e fita isolante. O primeiro passo é cortar a garrafa pet em dois.  Depois, lixa-se a face interna da parte em que ficou o gargalo. Esse procedimento tem como objetivo deixar a superfície mais áspera, de forma a aumentar a evaporação (a fêmea escolhe onde irá desovar pela evaporação).  Em seguida, retira-se o anel do gargalo, cobrindo-o com o microtule e prendendo-lo com o anel que foi retirado. A parte inferior da garrafa deve ser enchida com água. Nela, coloque os grãos de arroz triturados.A parte da garrafa pet que formou um funil deve ser colocada dentro da base com água e arroz. Por último, veda-se as laterais com fita isolante. "Estamos oferecendo para o mosquito comida, sombra e água fresca. Como a superfície áspera aumenta a evaporação, é um ambiente mais atraente do que a maioria dos focos", explicou o professor.  Anti-mosquito Cabral quer incentivar o uso das mosquitéricas para diminuir o número de mosquitos no ambiente, já que ela é eficaz não apenas contra o Aedes aegypti. Apesar de o experimento ainda não ter sido publicado em nenhuma revista científica, o professor disse já ter feito estudos em escolas municipais de Saquarema, na região dos Lagos, e Macaé, zona norte do Rio, que comprovam sua eficiência na redução do número de mosquitos transmissores da dengue.  Em Saquarema, no primeiro semestre de 2007, os alunos levaram 1.844 mosquitéricas, que ficaram um mês em suas casas. Após esse período, 1.577 retornaram à escola e foi constatado um índice de 11% de contaminação. No segundo semestre, 8.700 amostras foram levadas para casa e 3.500 voltaram para a escola. A contaminação foi de 7%, segundo o professor. Segundo Cabral, para saber se as larvas na garrafa são de Aedes aegypti ou de outro mosquito qualquer, basta ligar uma lanterna ou outra fonte de luz próxima da garrafa. Se as larvas nadarem tentando se afastar são do tipo aedes. Eles não suportam a claridade e só sobrevivem nas sombras.

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