UFRJ estuda ligação entre apneia do sono e agravamento de quadros de hipertensão

Hospital do Fundão dá início nesta semana aos primeiros exames para diagnóstico em pacientes

Agência Brasil

08 Setembro 2010 | 16h59

RIO DE JANEIRO - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) dá início nesta semana aos primeiros exames para diagnóstico de apneia do sono em pacientes que sofrem de alterações na pressão arterial. Os testes, que poderão apontar a necessidade de inclusão de um novo tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), serão feitos no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão.

Na última segunda-feira, o hospital recebeu um laboratório para investigação da doença, que se caracteriza por paradas respiratórias durante a noite. A apneia do sono pode ser considerada moderada ou grave a partir do registro de mais de 15 ocorrências em uma única noite.

De acordo com uma das responsáveis pelo projeto, a médica Elizabeth Muxfeldt, a apneia do sono pode ter uma relação direta no agravamento dos quadros de hipertensos resistentes (que usam mais de três drogas anti-hipertensivas e mesmo assim não conseguem controlar a pressão).

“A apneia estimula não só o sistema nervoso autônomo, como também a parte endócrina [hormônios], fazendo com que eleve a pressão arterial e provoque outras alterações cardiovasculares. Pacientes com apneia têm mais risco de arritmias graves e doenças coronarianas, por causa dessa estimulação neurológica e hormonal decorrente das paradas respiratórias durante a noite”, explicou a médica, afirmando que essa é uma teoria reconhecida internacionalmente.

Segundo Elizabeth, o tratamento ideal é o uso de uma máscara conhecida como CPAP (máscara de pressão positiva de vias aéreas superiores). O equipamento tem um custo alto, que varia de acordo com graus de sofisticação, e pode ser adquirido a partir de R$ 3 mil. O SUS não cobre o tratamento atualmente, mas a médica aposta que a comprovação da relação entre as duas doenças pode mudar esses parâmetros.

“No projeto, os doentes serão divididos em dois grupos. Metade vai usar a máscara e outra metade não vai usar. Antes da máscara, eles vão fazer uma avaliação cardiovascular em relação a pressão, arritmia e massa do coração, exames hormonais e uma série de exames que será repetida depois de 6 meses do uso do equipamento. A gente vai avaliar, então, se realmente confirma o que se tem na literatura internacional, de que o uso do CPAP melhora todos esses parâmetros cardiovasculares e diminui o risco de infarto, derrame e complicações. Mostrando que o produto realmente baixa o risco cardiovascular, a gente espera conseguir que o SUS passe a pagar a máscara para os pacientes”, afirmou Elizabeth.

Na primeira fase de exames do laboratório, construído com verbas de R$ 900 mil da Financiadora de Projetos e Pesquisas (Finep) e do Ministério da Saúde, a prioridade serão os pacientes com hipertensão resistente do Hospital do Fundão. O laboratório começa a funcionar com quatro leitos, onde poderão ser feitos quatro exames por noite. A partir de abril de 2011, os exames poderão ser feitos em mais pacientes do Hospital do Fundão e de outros hospitais públicos.

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