Um manual para medir a intensidade da dor

O Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo (ICHC) instituiu a dor como o quinto sinal vital a ser observado e medido em pacientes internados e recém-operados. Com a decisão, a instituição preparou um manual com procedimentos padrões a serem adotados pelos médicos. Além disso, foi ministrado treinamento aos 1.700 enfermeiros e auxiliares de enfermagem da instituição. Cerca de 80% dos contatos com os pacientes são realizados por esses profissionais, por isso a importância do trabalho. Desta forma, os enfermeiros vão medir temperatura, respiração, pulso, pressão arterial e, agora, também a dor. "Antes, não perguntávamos nada ao paciente. A dor era tratada como queixa", explica Eliana Rodrigues Carlessi, diretora técnica da Divisão de Enfermagem do ICHC. Eliana, que foi responsável pelo treinamento dos profissionais de enfermagem, verifica que com a tabela será possível medir a intensidade da dor. Essa tabela tem como base diretrizes internacionais e trabalha com uma escala que vai de zero a 10. Ao instituir a dor como quinto sinal vital, o maior complexo de saúde da América Latina quer garantir o máximo de conforto ao paciente, sobretudo àqueles que passaram por cirurgia. Antes, mantinha-se a prescrição de analgésico. Ao quantificar a dor, o medicamento poderá ser alterado de acordo com o protocolo. Para Waldemir Rezende, diretor-executivo do ICHC, outro item positivo será o relacionado à economia. "Ao tratar a dor da forma correta, vamos reduzir em 30%, em média, o tempo de internação, e em 40% os custos com medicamentos", informa. Para Irimar de Paulo Posso, supervisor da equipe de Controle da Dor da Divisão de Anestesia do HC, a consciência de que era necessário tratar a dor vem sendo disseminada há 10 anos. "Antes não havia uma conduta. O manual que lançamos é objetivo, uma introdução ao tratamento", conta. Ele lembra que a dor é um sinal de alerta e, se não tratada, só piora o quadro. "O paciente que sente dor fica deprimido e se precisar operar novamente vai sentir medo. Com essa abordagem tudo muda, ele se sente mais confortável e vai embora mais cedo."

Agencia Estado,

27 de junho de 2006 | 17h00

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