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Um momento histórico

Pandemia entrará para a história como um grande triunfo da humanidade sobre a doença

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 07h30

Em janeiro, quando se completarão dois anos da primeira morte oficial causada por covid-19, na China, espera-se que a doença esteja definitivamente sob controle ao redor do planeta, por causa do avanço da vacinação. Mesmo com quase cinco milhões de mortos, essa pandemia entrará para a História como uma vitória da Medicina – pelo simples fato de que as consequências poderiam ter sido muito mais desastrosas.

Trata-se de um grande mérito da ciência, que foi capaz de entender os mecanismos da doença e de produzir e aplicar vacinas em escala global em um prazo tão curto. “A ciência certamente sairá da pandemia muito fortalecida”, diz Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. “As instituições que investem em ciência, como o Butantan, mostraram todo o seu valor e a sua importância, ao lado dos profissionais de saúde.”

É importante ter em perspectiva que só recentemente, considerando-se toda a História da Humanidade, conseguiu-se efetivamente ampliar a expectativa de vida das pessoas. Assim como o restante do mundo, o Brasil registrou, nos últimos 120 anos, um aumento espetacular da sua população e da expectativa de vida. Em 1900, o País tinha 17,4 milhões de habitantes, com expectativa de viver, em média, 33,4 anos. Hoje, são 213,7 milhões de pessoas e a expectativa média de vida é de 74,8 anos.

Durante séculos, a possibilidade de ampliar a vida das pessoas foi anulada pelas múltiplas ameaças que sempre pairaram sobre a existência humana: doenças, pragas, guerras, violência, fome, tragédias naturais. Foi só a partir da virada do século 19 para o século 20, por conta da evolução da ciência, que as estratégias para salvar vidas finalmente começaram a se tornar mais eficientes do que a soma das ameaças.

A ciência é praticada, basicamente, pela observação embasada nos conhecimentos disponíveis, com o objetivo de gerar novos conhecimentos. Foi assim que os europeus começaram a se dar conta, por exemplo, que muitos marinheiros voltavam doentes de viagens para lugares distantes, e que essas doenças se espalhavam entre as pessoas que tinham contato com eles. Daí surgiu a ideia da quarentena para isolamento – que pode parecer óbvia hoje, mas à época representou um avanço inovador para a compreensão da dinâmica dos males contagiosos.

A prevenção foi ganhando importância crescente, especialmente nas aglomerações urbanas. Ainda que muitas doenças tivessem mecanismos desconhecidos, era evidente que más condições de vida contribuíam para disseminá-las. Boa alimentação, saneamento básico, limpeza das ruas e das casas, ar fresco, sol, todas essas medidas se tornaram aliadas essenciais da redução das taxas de mortalidade.

“Houve uma época em que os médicos eram detentores das poções. Não cobravam pela consulta, mas pelos produtos, e cobravam caro. Isso fez com que a humanidade criasse uma divisão: aquele que prescreve não comercializa. Daí surgiram os boticários, os farmacêuticos e, a posteriori, a indústria farmacêutica, que colocou essa produção em escala industrial”, lembra o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

“Graças a esse salto do artesanal para o industrial, essa disposição para investimentos e riscos, é que chegamos a avanços essenciais como a penicilina e ganhamos inúmeras alternativas para tratar doenças. Um exemplo: quando me formei, havia quatro medicamentos psiquiátricos. Hoje são quase 100”, acrescenta Mandetta.

Sabe-se que períodos de crise contribuem para a aceleração do desenvolvimento tecnológico. Certamente não será diferente em relação à pandemia de covid-19, que ficará marcada também por isso – assim como a Segunda Guerra Mundial impulsionou fortemente as pesquisas científicas. O mundo e a Medicina saíram completamente diferentes da Segunda Guerra, assim como serão outros ao final da pandemia de covid-19.

“Sou muito otimista sobre o futuro da Medicina e da nossa profissão”, diz a médica Ludhmila Hajjar.

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