Um pouco de excesso de peso pode fazer bem, diz estudo

Especialistas advertem que resultado pode se dever a fatores como o uso de remédios para pressão e colesterol

Associated Press,

08 de novembro de 2007 | 14h26

Estar 11 kg acima do peso parece não aumentar o risco de morrer de câncer ou do coração, diz um novo estudo patrocinado pelo governo dos Estados Unidos e que parece dar razão às mamães e vovós que adoram ver os filhos e netos com alguns quilos a mais.   Lançada poucas semanas antes do período de festas, a descoberta poderá trazer conforto para as pessoas que não conseguem perder os últimos cinco ou dez quilos na reta final da dieta, e animar os defensores da teoria de que é possível estar gordo e em forma ao mesmo tempo.   Mas o excesso de peso ainda é um fator que eleva o risco de diabete e problemas nos rins.   E as pessoas obesas - geralmente, as que têm 13 kg ou mais além do peso ideal - realmente correm mais risco de morrer de diversas doenças, incluindo problemas cardiovasculares e câncer.   Só que um pouco de excesso de peso realmente parece ajudar na sobrevivência a alguns problemas de saúde, resultado que deixou surpresos vários pesquisadores.   "Trata-se de uma desconexão intrigante", disse a chefe do Brigham and Woman's Hospital de Harvard, JoAnn Manson. "É um paradoxo".   Este é o segundo estudo realizado por uma equipe de cientistas que, em 2005, já havia sugerido que as mortes atribuídas ao excesso de peso eram exageradas.   O novo estudo vai mais fundo na mesma base de dados, desta vez buscando causas específicas para a morte e novas taxas de mortalidade de 2,3 milhões de adultos moradores dos Estados Unidos.   O trabalho, publicado na edição de quarta-feira do Journal of the American Medical Association, analisou o índice de massa corporal de pessoas que morreram de diversas causas.   Em muitos casos, o risco de morte era substancial para pessoas com índice acima de 30, considerado marcador de obesidade. Especificamente, a obesidade eleva o risco cardíaco, de diabete, problemas renais e diversos tipos de câncer.   Mas ter sobrepeso - índice entre 25 e 30 - não aumenta o risco de morte por problemas cardíacos ou câncer de qualquer tipo. Outro resultado surpreendente: pessoas com sobrepeso tiveram até 40% menos chance de morrer de diversos problemas, incluindo enfisema, ferimentos, pneumonia e infecções, que pessoas de peso normal.   A vantagem do soprepeso é mais pronunciada dos 25 aos 59 anos.   Por que a gordura não é sempre letal e pode até fazer bem é desconhecido, e o fato é contestado por vários especialistas.   O porta-voz da Associação Americana de Cardiologia, Robert Eckel, argumenta que o resultado do estudo mais recente pode ser enganoso, refletindo, por exemplo, a medicação que as pessoas com sobrepeso tomam para combater pressão alta e colesterol.   Já o pesquisador Barry Popkin, da Universidade de Carolina do Norte, destaca que o estudo trata de causas de morte, não de doença e saúde: o fato de pessoas com sobrepeso morrerem menos de câncer não significa, por exemplo, que sofram menos da doença.

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