Uma nova pomada na luta contra o câncer de pele

A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para o câncer de pele, tipo mais comum da doença e o tumor mais freqüente na população brasileira Trata-se de uma pomada, que pode ser aplicada pelo próprio portador. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele, ou carcinoma basocelular superficial, corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no País. Pelo documento "Estimativas de Incidência de Câncer", do mesmo órgão, em 2006 devem surgir mais de 120 mil novos casos. O Aldara (nome comercial), distribuído pelo laboratório Schering do Brasil, tem como princípio ativo o imiquimode. A substância estimula a função imune da pele a agir contra o tumor, provocando certa irritação no local da aplicação. Entre possíveis efeitos colaterais, estão ardor e pequeno desconforto. Ao contrário de outros tratamentos para câncer, essa pomada não vai inibir ou atingir a célula cancerígena, o mecanismo de ação é estimular as células da pele a aniquilar a lesão. "O tratamento com o Aldara leva em torno de seis semanas, sendo uma aplicação por dia. Mas temos observado que alguns pacientes alcançam a cura antes desse tempo", informa Cyro Festa Neto, professor assistente do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Embora seja um facilitador, o tratamento com a pomada deve ser visto como uma opção com uso criterioso. Como explica Marco Antônio de Oliveira, do Departamento de Oncologia Cutânea do Hospital do Câncer A.C. Camargo, o produto não pode ser indicado para casos de lesões não superficiais. "A penetração do medicamento não é muito boa, por isso não é recomendado para os casos mais graves", afirma. Aprovado para uso em carcinoma basocelular nos EUA desde 2004, o imiquimode está no Brasil desde o ano passado. Antes, no entanto sua aprovação era restrita ao tratamento de queratose actínica, um tipo de lesão pré-maligna caracterizada pelo aparecimento de pápulas avermelhadas e descamativas. A pomada é também indicada para o tratamento de verrugas genitais (HPV). Resultados - A terapia não chega para substituir o tratamento padrão do câncer de pele, que é a remoção das lesões através de cirurgia. Entretanto, os resultados nos pacientes que fizeram uso da pomada são bastante positivos, principalmente com relação à estética. "O resultado realmente é muito bom. A cicatriz que fica é pequena", comenta Oliveira. O especialista acompanha um grupo de pacientes que já utilizam o Aldara e estão há um ano sem lesões. Outro ponto positivo ressaltado pelos médicos está no fato de o medicamento ser aplicado pelo próprio paciente. O Aldara, no entanto, não tem preço tão acessível, custa cerca de R$ 400,00 a embalagem com 12 sachês. Muito comum no Brasil, o carcinoma basocelular superficial normalmente começa como mancha vermelha ou com o aparecimento de bolinha vermelha, preenchida com vasinhos. A queixa mais freqüente dos pacientes é o surgimento de pequenas feridas que sagram. Em 98% dos casos, a cura é possível. "Esse tipo de câncer, se não tratado, não se espalha para outras partes do corpo (metástase), mas cresce por toda a pele", lembra Neto. Prevenção - O câncer de pele, independentemente do tipo, é comum em países de clima tropical. Para se ter idéia, a Austrália, que tem clima parecido com o brasileiro, lidera o ranking de incidência da doença no mundo. No Brasil, relatos históricos apontam os primeiros registros do mal já no século 16, com a chegada dos primeiros imigrantes europeus. A pele muito clara destes povos não estava preparada para o clima da região e começaram a surgir os casos da doença. Hoje, sabe-se que a radiação solar é a maior vilã para a pele e a prevenção é o melhor remédio. Os especialistas recomendam o uso de protetor solar fator 30. O ideal é começar a se cuidar o quanto antes, isso porque cerca de 75% da radiação solar recebida durante a vida ocorre nos primeiros 20 anos. Causas - Além da exposição solar excessiva, doenças cutâneas, fatores irritadiços crônicos (úlcera agiodérmica e cicatriz de queimadura), hereditários e exposição à substâncias químicas como arsênico, podem levar ao diagnóstico de tumores cutâneos. Tipos - O câncer de pele caracteriza-se pelo crescimento de células de forma desordenada, que tem como resultado o tumor. Na superfície da pele, o câncer pode assumir a forma de manchas, bolinhas, caroços, feridas, pintas, entre outros. No geral, ele pode ser dividido em não-melanoma e melanoma. São divididos em três tipos: O carcinoma basocelular (não-melanoma) é o mais freqüente dos três e menos grave. Seu crescimento é lento e sua disseminação é rara Feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade devido a pequenos traumatismos, podem ser um carcinoma basocelular. O carcinoma espinocelular (não melanoma), de crescimento rápido, manifesta-se em lesões que podem gerar metástases em outras partes do corpo. Também conhecido como carcinoma epidermóide, acomete mais as áreas de mucosa aparente, como a boca ou o lábio, cicatrizes de queimaduras antigas ou áreas que sofreram irradiação (raios X). Já o melanoma é um tumor é maligno e bastante grave. Sua origem está nas células que produzem o pigmento da pele, os melanócitos Quase sempre gera metástase e seu diagnóstico precoce é primordial para a cura. Ele pode surgir a partir da pele sadia ou de sinais escuros que se transformam em melanoma. Também pode ocorrer em áreas não expostas ao sol. Qualquer alteração em sinais antigos, como: mudança da cor ou aumento do tamanho, por exemplo, pede a visita a um especialista.

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