Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Unifesp cancela cirurgias de retina por falta de material

Informação é da chefia do setor de retina da universidade federal; direção da instituição não se manifestou sobre o assunto

Adriana Ferraz, Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 07h10

SÃO PAULO - A chefia do setor de retina da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) disse nesta terça-feira, 27, que todos os procedimentos cirúrgicos de retina serão cancelados por falta de material. Até as 20h30, a Unifesp não se manifestou sobre o assunto.

O problema está sendo causado pela falta de kits com materiais descartáveis para a realização do procedimento, que custa cerca de R$ 1.800 cada, segundo Andre Maia, oftalmologista e chefe do setor de retina. “Nós temos estrutura para realizar 400 cirurgias por mês. A gente fazia entre 250 a 270 por mês. Hoje (terça-feira), recebi a informação de que não tem material para operar. Todas as semanas, recebemos pedidos do Brasil inteiro e, agora, tenho de negar.”

Maia diz que participou de reuniões com a entidade e a falta de verbas foi o motivo alegado. “Fizemos várias reuniões, mas eles não têm dinheiro”, afirma.

Em junho deste ano, o Hospital São Paulo, que é administrado pela Unifesp, chegou a suspender por um dia cirurgias e internações eletivas - aquelas que não são consideradas emergenciais. O Ministério da Saúde repassou R$ 6 milhões e a Secretaria de Estado da Saúde fez um repasse emergencial de R$ 3 milhões.

O hospital passa por uma séria crise financeira desde o ano passado.

Prejuízo. De acordo com o chefe do setor de retina, os pacientes podem ser gravemente prejudicados com a suspensão das cirurgias.

“Em um descolamento de retina, por exemplo, se a cirurgia for feita hoje, o paciente tem chance de recuperação. Se fizer em três ou quatro meses, ele pode até perder a visão. O procedimento não adianta.”

Maia diz que, além do descolamento de retina, outros problemas frequentes de pacientes que procuram o setor são retinopatia diabética e a degeneração macular. “É uma situação dramática e não aguento esse tipo de injustiça.”

O Estado entrou em contato com a assessoria da Unifesp por e-mail e por telefone, mas a entidade não respondeu à solicitação de informações.

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