Unimed Paulistana bancou safári para 138 na África do Sul

Operadora está em crise financeira desde 2009 e teve sua carteira de clientes alienada por ordem da ANS

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2015 | 21h09

Integrantes da antiga diretoria e executivos da Unimed Paulistana, além de corretores de planos de saúde da operadora, realizaram viagens e passeios de luxo no ano passado. Em agosto de 2014, um grupo participou de um safári na África do Sul com todos os gastos custeados pela operadora, que está em crise financeira desde 2009 e teve sua carteira de clientes alienada por ordem da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em setembro deste ano.

Em nota, a atual diretoria da Unimed Paulistana informou que assumiu em abril deste ano e realizou um trabalho de diminuição de custos. “Esses eventos foram realizados durante a antiga diretoria e esses questionamentos devem ser feitos aos antigos diretores.”

O ex-presidente da Unimed Paulistana, Paulo José Leme de Barros, disse, também em nota, que a viagem para a África “fez parte da estratégia comercial da empresa, prática comum no mercado de saúde”. “Foram contempladas 138 pessoas, que geraram um custo de viagem de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Como retorno, a campanha obteve R$ 31 milhões em vendas e acréscimo de 28 mil novos clientes, resultado extremamente positivo para a Unimed Paulistana.”

Diretor da corretora Íntegra Vita, Reinaldo Badiali diz que a prática de oferecer viagens, jantares e passeios luxuosos é normal entre as operadoras de saúde e que, há pelo menos oito anos, a Unimed Paulistana realizava as promoções.

“Além da África, eles fizeram também viagens para Fernando de Noronha, Maragogi (AL), cruzeiros. Mas todas as operadoras oferecem viagens para alavancar as vendas.”

Shows de artistas nacionais, como Arnaldo Antunes e César Menotti e Fabiano, eram vistos pelos convidados da operadora em camarotes. “A gente não quitava nada em nenhum evento da operadora. Era ‘all inclusive’.”

Badiali diz que os vendedores se sentiam estimulados a vender os pacotes da Unimed Paulistana. “Era uma viagem bem organizada, mas tinham de vender 50 a 100 vidas por mês durante um ano para conseguir.”

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