DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Universidades devem estudar uso do canabidiol em pacientes

Segundo presidente de agência, cooperação entre instituições permitiria avaliar riscos e benefícios do tratamento

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2015 | 23h29

 

BRASÍLIA - O presidente da Anvisa, Jaime Oliveira, afirmou que um acordo de cooperação com universidades brasileiras está em negociação para acompanhar a ação do canabidiol em pacientes. A ideia é criar uma rede nacional de monitoramento, para avaliar os riscos e benefícios. 

“As pesquisas certamente serão muito beneficiadas com a mudança da classificação feita pela Anvisa”, afirmou o professor do Departamento de Neuropsiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Alexandre Crippa, que há 18 anos estuda os efeitos terapêuticos do canabidiol.

A decisão da Anvisa não delimita a indicação terapêutica para o canabidiol. Atualmente, ele é usado principalmente por crianças que apresentam epilepsia refratária, que se caracteriza por grande quantidade de crises convulsivas. Crippa, no entanto, lembrou que vários estudos são realizados para avaliar o uso do medicamento para outras doenças. Como exemplo, ele citou trabalhos mostrando a eficácia do produto para mal de Parkinson e distúrbios do sono.

“Além disso, há pesquisas em andamento para avaliar o impacto do uso do remédio para Alzheimer, demência e problemas provocados por acidente vascular cerebral”, disse. E observou também que o canabidiol é considerado uma alternativa promissora para tratar distúrbios de ansiedade. 

 

Médicos e famílias. Crippa não é o único a mostrar entusiasmo com a decisão. “Isso certamente vai facilitar a importação do medicamento e, sobretudo, as pesquisas em torno do tema”, disse o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital. Em dezembro, o CFM emitiu um parecer liberando o receituário. 

Mas declarações de familiares de pacientes mostram que a mobilização em torno do canabidiol não termina com a mudança na classificação. A presidente da Federação Brasileira de Epilepsia, Maria Carolina Doretto, afirmou esperar que, com a reclassificação, indústrias farmacêuticas passem a sintetizar o produto. Ela defendeu ainda que ele seja rapidamente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Já Júlio Américo Neto, da recém-criada Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, também defendeu a ampliação de estudos e a criação de uma política nacional para distribuição de medicamentos feitos a partir do canabidiol.

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