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Usar muito fone de ouvido realmente prejudica a audição?

De acordo com a otorrinolaringologista Cláudia Eckley, a altura, a quantidade de horas escutadas e o modelo do fone são fatores importantes em eventuais lesões

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2022 | 05h00

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Usar muito fone de ouvido realmente prejudica a audição? 

Kaique Martins, Rio de Janeiro

Responde Cláudia Eckley, otorrinolaringologista do Fleury Medicina e Saúde

Depende de como você está usando o fone de ouvido, o tipo do fone e a altura. Então se o volume desse som – independentemente do estilo musical – for alto ou moderadamente alto e você ouvir isso todos os dias, por um grande número de horas (mesmo que seja fora do fone), você tem a chance de lesionar as células do ouvido interno e ter uma perda auditiva. Agora, se for um volume moderado, mas colocado dentro do ouvido, constantemente, também pode levar à lesão. Lembrando que a lesão é permanente. Não tem volta. 

Como a gente sabe que a música está muito alta? Se você não consegue escutar o entorno, ou se uma pessoa do seu lado consegue escutar a sua música, certamente ela está alta. Inclusive na última década, nós vimos um aumento muito grande nos casos de perda auditiva em indivíduos jovens devido ao fone de ouvido com música muito alta.

Hoje em dia, principalmente com a pandemia, as pessoas têm passado muito tempo com o fone de ouvido trabalhando. Esse é um volume que não é intenso, não é sempre, o que, à priori, não daria uma lesão. Mas um uso prolongado do fone em si, dependendo do modelo, pode acabar machucando o ouvido. Aquele estilo plugue, que enfiamos dentro do canal do ouvido, pode acabar irritando a pele do canal auditivo e gerar uma inflamação pelo atrito. Recomendamos o modelo que fica como uma tiara por cima da cabeça. Ele não põe uma pressão direto dentro do canal, tende a irritar menos, e como você perde menos som, você costuma colocar a música em um volume mais baixo.

Algo importante a ser notado é o zumbido. Ele pode ser um sintoma de lesão passageira; algo que acaba no dia seguinte. Ou uma cicatriz da perda auditiva – normalmente o sintoma que te leva ao médico.

Além das consequências físicas, o volume muito alto aliena, te desliga do seu entorno. E é mais um dos fatores da vida digital que não está inserida na realidade do momento. A música relaxa, mas em volume alto ela tem o efeito oposto: ela tensiona. Por isso, limite no seu aparelho o volume de amplificação que ele pode dar. Dessa maneira, você coloca um freio para você não se expor,  nem distraidamente, a um ruído tão forte. Se você escutar música mais baixa, como um som de uma sala de espera, você pode ouvir música o dia inteiro.

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