Uso de preservativos caiu entre brasileiros, diz pesquisa

Apesar do aumento do número de parceiros, estudo do Ministério da Saúde revela queda no uso de camisinhas

Lígia Formenti, da Agência Estado,

18 Junho 2009 | 13h06

O número de brasileiros que utiliza preservativos nas relações sexuais casuais caiu quase 5%, indica pesquisa feita pelo Ministério da Saúde divulgada nesta quinta-feira, 18. Segundo números do estudo, em 2008 apenas 46,5% dos entrevistados disseram usar camisinha em relações eventuais, enquanto em 2004 esse número era de 51,6%.

 

A pesquisa do Ministério revelou também que a prática de sexo casual no País cresceu 132% em quatro anos. Em 2004, 4% dos entrevistados disseram que tiveram relações com mais de cinco parceiros eventuais no ano. Em 2008, o índice subiu para 9,3%. Foram entrevistadas 8 mil pessoas, de 15 a 64 anos, em todas as regiões do País.

 

O estudo, o maior feito no Brasil sobre o assunto, permite traçar um retrato sobre o comportamento sexual do brasileiro. O trabalho indica que 79% da população entre 15 e 64 anos é sexualmente ativa e que 16% dos entrevistados já traíram seus parceiros. O homem é o que mais admite esse comportamento: 21%, ante 11% entre as mulheres.

 

As diferenças entre o grupo masculino e feminino não se limitam ao item traição. O homem inicia a vida sexual mais cedo (36,9% tiveram a primeira relação antes dos 15 anos), tem maior número de parceiros casuais (13,2% tiveram mais de 5 parceiros casuais no ano anterior à pesquisa, um índice três vezes maior do que o das mulheres) e 10% apresentaram pelo menos um parceiro do mesmo sexo na vida (quase o dobro do que foi apresentado pelas mulheres: 5,2% tiveram relações com parceiras do mesmo sexo).

 

Os homens, em compensação, usam mais preservativos do que o grupo feminino, em qualquer situação: seja com parceiras fixas, casuais ou eventuais (fora da relação estável). O trabalho mostra, por exemplo, que 63,8% do grupo masculino entre 15 e 24 anos usou camisinha na primeira relação sexual. Entre as mulheres, esse índice foi de 57,6%.

 

A diferença maior, entretanto foi registrada no uso de preservativos em relações com parceiros casuais. No grupo masculino, 65,1% disseram ter usado camisinha na última relação sexual com parceiros casuais nos 12 meses anteriores. Entre as mulheres, o porcentual foi muito inferior: 45,5%. A diferença se repete no caso de parceiros mantidos fora da relação fixa. Entre homens, 43% usam camisinha. No grupo feminino, porém, esse índice não ultrapassa 25%.

 

Quanto menor a faixa etária da população analisada, maior o uso do preservativo. Na população entre 15 e 24 anos, 67,8% disseram ter usado camisinha com parceiros casuais nos últimos 12 meses. Na faixa etária seguinte, entre 25 e 49, esse porcentual cai para 54,4%. Os entrevistados com 50 e 64 anos apresentaram o menor índice de uso: 37,9%. A diferença também está presente no uso de camisinha com parceiros fixos. Na faixa etária de 15 a 24 anos, 30,7% disseram usar preservativos em todas as relações com parceiros fixos. Entre pessoas com 25 e 49 anos, o índice cai para 16,6%.

 

Aids

 

Feita com 8 mil entrevistados, a pesquisa revela um fato intrigante. Apesar de ser registrada uma tendência de queda no uso de preservativos, a população brasileira apresenta um elevado conhecimento sobre a infecção e prevenção de aids. De acordo com o estudo, mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor forma de se evitar a contaminação. Segundo o ministério, esse é um dos índices mais altos do mundo. Um estudo feito com 64 países mostra que 40% dos homens e 38% das mulheres entre 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV.

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