Márcio Pinheiro/SESA
Márcio Pinheiro/SESA

Uso de remédio será investigado na Bahia após morte de médico por coronavírus

Receita médica para Gilmar Calasans Lima, de 55 anos, indicava uso de hidroxicloroquina combinado com azitromicina

Fernanda Santana, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 23h09


SALVADOR - A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) abrirá investigação para apurar se a hidroxicloroquina e azitromicina prescritas para o médico diagnosticado com coronavírus que morreu na segunda-feira, em Ilhéus, no sul da Bahia, saiu do estoque do Hospital Regional da Costa do Cacau ou de uma farmácia de manipulação. O cardiologista Rafael Klecius, que assinou a prescrição dos remédios, pode ser demitido ou advertido, conforme disse ao Estado o secretário da pasta, Fábio Villas Boas.

A receita médica foi emitida para Gilmar Calasans Lima, de 55 anos, na quinta-feira, e indicava uso de um comprimido de hidroxicloroquina a cada 12 horas, por cinco dias, combinado com uma dose de azitromicina por dez dias. A eficácia dos medicamentos contra a covid-19 não tem comprovação científica. "Não sei se ele tinha certeza da eficácia do uso, porque não me falava. O que importa é que ele não fez a automedicação. Ele foi atendido e, de antemão, o médico já mandou fazer uso", afirmou o marido de Gilmar, Laercio Souza. 

O uso dos medicamentos começou antes mesmo do resultado do teste para covid-19, liberado somente no sábado. Gilmar era hipertenso e diabético, segundo a Sesab, mas tinha um quadro controlado das doenças e, inicialmente, apresentava sintomas leves da infecção pelo vírus. Ele e Rafael eram colegas de trabalho no Hospital da Costa do Cacau, gerido pelo governo do Estado da Bahia. 

A piora surgiu quatro dias depois do início do tratamento, quando foi levado para a emergência com sinais de arritmia, na madrugada de segunda. A equipe médica tentou reanimá-lo por 45 minutos, mas o coração de Gilmar não reagiu.

O médico, que sofreu uma parada cardiorrespiratória, é o primeiro profissional de saúde morto pelo coronavírus na Bahia, onde já foram notificados 48 mortes e 1.364 casos da doença, ainda de acordo com a Sesab. 

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