Fabrice Coffrini/Pool via Reuters
Fabrice Coffrini/Pool via Reuters

Uso emergencial de vacinas contra covid-19 deve ser feito com seriedade, diz OMS

A entidade pediu cuidado aos países para aprovação em caráter de emergência de vacinação e terapias contra o novo coronavírus

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 14h40

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, afirmou nesta segunda-feira, 31, que o uso emergencial de vacinação contra o novo coronavírus deve ser feito com o máximo de precaução e de maneira refletida.

"A autorização para o uso de emergência é algo que precisa ser feito com muita seriedade e reflexão. Não é algo que deve ser realizado com muita frequência", apontou a cientista. Ainda assim, ela acrescentou que cabe a cada país essa decisão, já que as nações têm a autoridade e soberania para aprovar imunizações e terapias no próprio território.

Soumya disse que, preferencialmente, a aprovação deste uso deve ser feita quando já houver um conjunto de dados completos sobre o tratamento. 

A cientista também apontou que a OMS tem trabalhado com agências regulatórias nacionais, como a FDA dos Estados Unidos, para estabelecer os critérios de uma vacina eficaz e segura. A entidade estabeleceu que é buscado um imunizante com pelo menos 50% de eficácia, mas preferencialmente mais. O índice mínimo necessário para aprovação é de 30%.

Para comprovação de segurança, é necessário acompanhar quem recebeu o teste por um período de tempo longo já que, enquanto os efeitos colaterias mais leves - como febre - aparecem imediatamente, aqueles mais sérios demoram a se manifestar, apontou Soumya.

Entre os riscos de aprovar uma imunização prematuramente, ela apontou a dificuldade de continuar com os estudos e a possibilidade de aplicar uma vacina que não está fazendo o efeito desejado e não colabora para o fim da pandemia. “Ou pior, com um perfil de segurança que não é aceitável”.

O diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, declarou que se a fase 3 de testes clínicos de uma vacina - a última antes da aprovação - for feita de maneira muito rápida, é possível que nem todos os efeitos graves sejam detectados antes da aplicação em massa.

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