Márcio Fernandes/Estadão
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USP denuncia criador da 'pílula do câncer' por curandeirismo

Gilberto Chierice, pesquisador que desenvolveu a fosfoetanolamina sintética, prestou depoimento nesta quarta na Polícia Civil

Rene Moreira, Especial para O Estado

31 Março 2016 | 19h02

FRANCA - Gilberto Chierice, pesquisador que desenvolveu a fosfoetanolamina sintética, a chamada “pílula do câncer”, foi denunciado pela Procuradoria da Universidade de São Paulo (USP) por curandeirismo, porque teria prescrito, ministrado ou aplicado a substância para a cura de doenças. Ele prestou depoimento nesta quinta-feira, 31, negou as denúncias e criticou a polêmica em torno da substância.

Citado ainda por crime contra a saúde pública, ele compareceu à delegacia de São Carlos (SP) acompanhado de dois advogados. A substância vem sendo motivo de polêmica por, supostamente, combater o câncer. Um projeto de lei já foi aprovado pelo Congresso Nacional liberando a fórmula no País e ela pode até virar suplemento alimentar, conforme sugeriu o Ministério da Ciência em estudo divulgado na quarta-feira.

Os crimes denunciados pela USP levam em consideração o Código Penal e podem resultar em até 4 anos de prisão. Um inquérito foi aberto na Delegacia Seccional e outros pesquisadores também serão ouvidos. A USP, que vem se manifestando contra o fato de ser obrigada por liminares a distribuir as pílulas, não comentou a denúncia apresentada inicialmente à Polícia Federal, que a remeteu para a Polícia Civil. A fosfoetanolamina ainda não tem o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Defesa. Chierice é professor aposentado da própria USP e tem defendido o uso da fosfoetanolamina em entrevistas. Sobre os testes iniciais, que não teriam até agora confirmado eficácia terapêutica da substância, ele questionou a forma como foram feitos. “Uma coisa é você tratar a substância como veneno, envenenar as células (cancerígenas), que é o que estariam fazendo. Outra é dizer à célula: você tem de morrer, você está programada para morrer agora. É isso que a fosfoetanolamina faz”, exemplificou.

De acordo com o pesquisador, a substância marca a célula e a obriga a cometer o fenômeno chamado apoptose, também conhecido como morte programada. “E ela morre.” Dessa forma, a substância traria melhoria ao organismo ao impedir as replicações.

O pesquisador diz defender outras análises da substância. “Se você tem dúvida, vá lá e faça o teste. Foi o que fizeram. Erradamente, mas fizeram.”

As pílulas dividem opiniões e muitos pacientes também defendem a liberação. Já a classe médica tem avançado em críticas no assunto. Em Cravinhos, no interior paulista, um laboratório está com as máquinas prontas para sintetizar o composto, esperando só pelo início dos testes do governo estadual.

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