WERTHER SANTANA/ESTADÃO 20/12/ 2020
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USP mantém aula teórica remota em julho; faculdades particulares preveem retorno híbrido

Governo paulista liberou na última semana o ensino superior para funcionar com 60% da capacidade

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 10h00
Atualizado 13 de julho de 2021 | 18h58

A Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, decidiu manter as aulas teóricas na graduação e na pós de forma remota no mês de julho, apesar da liberação para o retorno presencial do ensino superior dada pelo governo do Estado. Faculdades privadas já planejam retorno presencial de parte das turmas em agosto, quando terá início o segundo semestre letivo.

Na semana passada, o governador João Doria (PSDB) liberou, por meio de um decreto, o funcionamento de instituições de ensino superior. Até então, as faculdades só podiam receber alunos de cursos de Saúde. O retorno de aulas presenciais estava previsto apenas na fase amarela do Plano São Paulo, que norteia a retomada das atividades econômicas no Estado.

Com a nova regra, o ensino superior foi equiparado ao setor de serviços e pode receber o mesmo porcentual de pessoas permitido para o comércio. Hoje, no Estado, a limitação é de 60% da capacidade. As atividades práticas nos cursos superiores não têm restrição de horário. Apesar da liberação, o primeiro semestre letivo da USP deverá ser concluído no dia 31 de julho de forma remota.

Em um comunicado à comunidade acadêmica, a USP determinou que a “manutenção das aulas teóricas remotas é a medida a ser tomada neste momento (em julho)”. A USP vê a necessidade de que as unidades planejem o segundo semestre letivo de 2021, previsto para começar no dia 9 de agosto. Segundo a universidade, as implicações do novo decreto serão consideradas em um próximo comunicado.

Atividades práticas de pesquisa e de pós-graduação podem continuar a ocorrer, com protocolos. Professores e funcionários técnico-administrativos que já foram imunizados podem retornar às atividades presenciais 14 dias após terem recebido a segunda dose ou a dose única, segundo a USP. Mas as atividades de cultura e extensão devem continuar a acontecer preferencialmente por meio remoto.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) também informou que estudará o novo decreto. Em março, a Unesp havia decidido manter aulas remotas na graduação durante todo ano letivo de 2021. A decisão foi tomada para facilitar o planejamento das 34 unidades - e poderia ser revista, de acordo com a evolução dos indicadores da covid-19. 

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as aulas teóricas presenciais devem ser retomadas "ao longo do segundo semestre e conforme a vacinação progrida", segundo informou ao Estadão o reitor, professor Tom Zé. Ele destaca a necessidade de que os estudantes tenham tempo para se organizar, já que boa parte dos alunos mora fora de Campinas.

As instituições privadas de ensino superior indicaram plano de retomar as aulas presenciais em agosto - neste momento, a maioria das faculdades particulares está em recesso. O Insper informou que adotará o retorno gradual às atividades presenciais em agosto, com respeito à ocupação máxima de 60% nas salas de aula nos cursos de graduação, pós-graduação e educação executiva.

“Ao longo do semestre, a ocupação poderá ser progressiva à medida que as condições de saúde e as regras estabelecidas pelo governo paulista permitirem. O uso de máscaras de proteção e a medição de temperatura seguirão obrigatórios e indispensáveis”, afirmou. Os estudantes terão a opção do acompanhamento de aulas remotamente.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) também pretende manter o retorno presencial opcional no segundo semestre. Segundo o pró-reitor da FGV, Antonio Freitas, a FGV funcionará de forma híbrida, com liberdade para os alunos escolherem o modo presencial ou não, com limite inferior a 50% da capacidade.

Já a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) informou em nota que o retorno das atividades acadêmicas do 2.º semestre, em 27 de julho para os cursos de Teologia e Medicina e em 2 de agosto para os demais cursos e programas, "terá início por meio remoto". Segundo a PUC-SP, serão mantidas em caráter presencial atividades práticas e aquelas que já ocorreram presencialmente no 1.º semestre. Ainda não há definição sobre data de retorno das atividades presenciais na PUC-SP, que destaca "necessidade de imunização da comunidade".

Em fevereiro deste ano, quando os indicadores da covid-19 estavam em ascensão, o Estadão mostrou que as faculdades públicas e particulares relutavam em retomar as atividades presenciais, apesar de terem recebido liberação do governo paulista. Na época, pouco antes do pico da segunda onda, a avaliação era de que ainda seria preciso monitorar as condições epidemiológicas e aguardar a vacinação mais ampla da população.Em março, o Estado entrou em fase emergencial, ainda mais rígida do que a vermelha, com restrição a várias atividades presenciais, como bares, restaurantes e escolas.

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