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USP quer cancelar aposentadoria de criador da 'pílula do câncer'

Universidade abriu sindicância para investigar se pesquisador usou dependências da instituição irregularmente para desenvolver e distribuir a substância

Rene Moreira, Especial para o Estado

12 de julho de 2016 | 15h09

FRANCA - Uma sindicância foi aberta pela Universidade de São Paulo (USP) com objetivo de investigar as atividades do pesquisador Gilberto Chierice. Criador da fosfoetanolamina sintética, chamada de "pílula do câncer", o professor aposentado corre o risco de ter a aposentadoria cassada se ficar comprovado que usou as dependências da universidade irregularmente para desenvolver e distribuir a substância.

A USP alega ainda que teve a imagem manchada e diz apurar "eventual infração funcional referente à confecção e à distribuição da substância". O advogado do pesquisador, Fábio Soares, nega a acusação e afirma que a instituição sempre soube que a fosfoetanolamina era produzida no local.

A fórmula foi criada nos laboratórios do Instituto de Química da USP de São Carlos, no interior de São Paulo. A sindicância foi aberta por determinação do reitor da universidade, Marco Antonio Zago. No entanto, como corre em segredo, o processo não teve detalhes divulgados.

A fosfoetanolamina tem sido motivo de grande polêmica porque supostamente combateria tumores cancerígenos e chegou a ser usada por muitas pessoas. Porém, nenhum dos testes científicos feitos até o momento comprovou sua eficácia. Por isso, a pílula não pode ser considerada um medicamento.

Arquivado. A USP também denunciou Chierice, em março deste ano, à Polícia Civil. Porém, a Delegacia Seccional de São Carlos concluiu que não há evidências de crime nas atividades do pesquisador.

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