Secretaria de Comunicação do Estado do Amazonas
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UTI aérea e 'ambulanchas' atendem pacientes com covid-19 no interior do Amazonas

Dos 636 casos confirmados, 76 são de pessoas que moram longe da capital Manaus. Municípios representam desafio ao sistema de saúde

Bruno Tadeu, Especial para o Estado

08 de abril de 2020 | 05h00

MANAUS - UTI aérea e 'ambulanchas' são alternativas de transporte do governo do Amazonas para conduzir pacientes de casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus do interior para Manaus. Distantes e sem acesso via terrestre, esses municípios desafiam o sistema de saúde, que mantém centralizado o atendimento de pacientes graves em hospital de referência da capital. Dos 636 casos confirmados no Amazonas, após atualização nesta terça-feira, 76 estão no interior, em 12 municípios.

Até 2 de abril, a UTI aérea já foi utilizada para transportar seis pessoas, suspeitas ou com a confirmação da doença. De acordo com o secretário executivo adjunto de Atenção Especializada ao Interior, da Secretaria de Saúde, Cássio Espírito Santo, o Estado dispõe de três modelos de aeronaves, utilizadas de acordo com a necessidade de cada caso e a distância do município de origem do paciente.

"Temos um jato, um avião para pista pequena e um hidroavião para atender às diversas realidades dos nossos municípios. E, através de um sistema de regulação, esses pacientes são informados e removidos para a capital. A ambulância vem na própria pista, retira o paciente e leva para a unidade de saúde de destino", detalhou o secretário.

Cássio frisou que cada aeronave está equipada com todo o aparato necessário para realizar os atendimentos, com capacidade para transportar até dois pacientes. "As aeronaves são montadas de acordo com as realidades e as necessidades. Então, se for remover um paciente, um leito; se for remover dois pacientes, dois leitos e os equipamentos necessários', pontuou.

Primeira indígena afetada pelo coronavírus

Dos municípios mais distantes com casos confirmados do novo coronavírus, Santo Antônio do Içá (a 880 quilômetros a oeste de Manaus) acumula o maior número: são sete infectados.  Segundo o secretário municipal de Saúde, Francisco Azevedo, a provável propagação começou após a chegada de uma equipe médica ao município, no dia 17 de março.

"Todos estão muito bem, sendo tratados em casa, monitorados e continuam em quarentena com suas famílias. Temos um hospital de 28 leitos, mas que é para todas as patologias. São cinco unidades básicas de saúde na cidade e duas na zona rural", relatou Azevedo.

Entre os infectados está a agente de saúde Suzane Pereira, 20, indígena da etnia Kokama. Ela, a filha de 1 ano e 10 meses, a mãe de 39 anos e um primo testaram positivo para covid-19. Todos estão isolados.

Suzane disse sentir apenas sintomas leves. A filha sentiu febre, mas já se recupera. "Muita gente ainda brinca com a doença, não sabem o que a gente passa. Alguns se mostraram preocupados, principalmente os idosos. Mas ainda há muitos adolescentes na rua", afirmou.

Outros familiares da indígena aguardam o resultado do exame. Eles vivem na comunidade indígena São José, em quarentena há 20 dias por conta da pandemia.

O secretário municipal ressaltou que toda a população do município foi orientada a usar máscara desde a confirmação do primeiro caso na região. Os índios aldeados também foram orientados a se locomover ao centro da cidade apenas para necessidades essenciais. "Eles têm a consciência do risco da doença para dentro de uma aldeia e estamos felizes com a forma como eles estão lidando. Seguem todas as orientações", destacou.

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