REUTERS/Eric Gaillard/File Photo
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Vacina contra a covid-19 desenvolvida na Universidade de Oxford será testada também no Brasil

Duas mil pessoas participarão dos testes em São Paulo e no Rio; das mais de 70 vacinas em desenvolvimento em todo o mundo, essa é a que se encontra em estágio mais avançado

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 12h08

A vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida na Universidade de Oxford, no Reino Unido, será testada também no Brasil, em pelo menos dois mil voluntários. Considerado um dos mais promissores, o imunizante já está na fase três de testes, a última, em que será averiguada a eficácia do produto. Das mais de 70 vacinas em desenvolvimento em todo o mundo, a britanica é a que se encontra em estágio mais avançado de desenvolvimento e é também considerada uma das mais promissoras. A expectativa é que, se tudo der certo, a vacina receba o sinal verde das agências reguladoras antes do final deste ano.

O Brasil é o primeiro país fora do Reino Unido a participar da testagem. Os testes serão coordenados pela Universidade Fedeal de São Paulo (Unifesp). Serão mil voluntários em São Paulo e outros mil no Rio de Janeiro, os dois estados que concentram a maioria dos casos brasileiros. O país foi escolhido para participar do teste porque a epidemia ainda está em ascenção por aqui -- diferente do que ocorre no Reino Unido --- e o vírus está circulando ativamente na população. Preferencialmente, serão escolhidos profissionais de saúde na linha de frente do combate à doença. Os voluntários devem ter entre 18 e 55 anos e nunca terem sido contaminados pelo novo coronavírus. 

O recrutamento dos voluntários deve começar entre a segunda e a terceira semana de junho. Metade dos voluntários receberão a substãncia candidata à vacina e a outra metade um outro imunizante. Ninguém será informado sobre que produto está recebendo. Cada um dos participantes será avaliado por até um ano. Como se trata de uma situação emergencial, resultados iniciais positivos podem acelerar o processo.

"Até agoora não houve nenhum problema de segurança com a vacina, que está na fase 3, para testar sua eficácia; é uma vacina extremamente promissora, que pode ser liberada para o uso ainda este ano", explicou a imunologista Lily Yin Weckx, da Unifesp, que está coordenando o estudo no país. "É uma honra participarmos da testagem de uma vacina que pode mudar o rumo da história mundial."

A expectativa é que ao participar do teste, o Brasil ganhe alguma primazia no recebimento das primeiras doses da vacina, no caso de o produto ser aprovado. Existe também a expectativa de que o país possa até mesmo participar, futuramente, da produção do imunizante em larga escala.

"Isso não está acertado ainda, mas existe essa expectativa", afirmou a reitora da Unifesp, Soraya Smali. "E o Brasil tem uma grande tradição na produção de imunizantes, tanto na Fiocruz, quanto no Instituto Butantan."

A vacina é feita a partir de um vírus (adenovírus) atenuado da gripe comum que infecta macacos. Esse vírus serve de vetor para levar ao organismo humano uma cópia produzida em laboratório de uma proteína presente no novo coronavírus. A ideia é que o organismo começará a produzir anticorpos capazes de reconhecer e atacar o vírus verdadeiro em caso de uma infecção real.

O objetivo é testar a vacina em dez mil pessoas nesta fase 3. Há outros países cuja participação está em processo de análise e aprovação. Os resultados desses testes serão primordiais para o registro da vacina no Reino Unido, previsto para final deste ano. Entretanto, o registro formal deve acontecer apenas após a conclusão dos estudos realizados em todos os países participantes.

Para Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann, organização que ofereceu os recursos (cujo montante não foi divulgado) necessários à realização de parte do estudo, "inserir o Brasil no panorama de vacinas contra a Covid-19 é um marco importante para nós, brasileiros, e acredito que poderemos acelerar soluções que tragam bons resultados e rápidos.

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