Vacina contra a desinformação
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Vacina contra a desinformação

Pediatras estão engajados em campanha para levar informação segura aos pais

Pfizer, Estadão Blue Studio
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17 de outubro de 2021 | 07h30

Feche os olhos e pense: quais foram as maiores conquistas de saúde pública do último século? O que foi capaz de reduzir a morbidade e a mortalidade de milhões de pessoas em todo o mundo, aumentar a expectativa de vida da população mundial – inclusive e principalmente das crianças? Se você pensou na vacinação, acertou. A vacinação foi eleita sucessivamente pelo Center for Disease Control and Prevention norte-americano (CDC) como uma das dez maiores conquistas da saúde pública no último século1.

Mesmo sendo uma campeã da crítica, a vacina vem perdendo público. Em 2020, o Brasil não atingiu nenhuma das metas de cobertura de vacinação infantil desenhadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, e vem sendo assim desde 2015, mesmo com os imunizantes sendo oferecidos de forma gratuita e em todos os postos de saúde do Brasil, mesmo com as vacinas sendo estudadas e liberadas apenas depois de se comprovar que são seguras e eficazes2.

Os motivos que levam a essa hesitação vacinal ainda não foram suficientemente estudados, pelo menos no Brasil, afirma o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o pediatra e imunologista Renato Kfouri. “As causas dessa queda da cobertura vacinal certamente não são as mesmas no interior da Paraíba, na região Amazônica ou nos Jardins (bairro nobre de São Paulo). O que faz alguém de uma grande metrópole não se vacinar não é necessariamente o mesmo motivo que leva uma pessoa do interior do Brasil a não levar o filho para se vacinar”, afirma.

Kfouri elenca uma série de motivos que podem ser causadores dessa baixa cobertura vacinal, que vão desde o calendário de imunizações robusto e complexo oferecido pelo PNI, que faz com que os pais tenham de ir aos postos de saúde com uma grande frequência – o que pode ser difícil para quem trabalha fora –, até uma falsa sensação de segurança causada pelo próprio sucesso das vacinas, que fizeram com que doenças graves e mortais fossem controladas e até oficialmente eliminadas, como a poliomielite (apenas o pólio vírus tipo 1 ainda circula no Paquistão e no Afeganistão) e erradicadas, como a varíola3. “Há trinta anos se viam crianças paralíticas e morrendo por paralisia infantil, crianças morrendo de sarampo, de coqueluche, por isso os pais levavam seus filhos maciçamente para vacinar. Só que as famílias jovens de hoje nunca viram nenhuma dessas doenças. E o sucesso das vacinas acabou sendo um desestimulador à vacinação, por mais paradoxal que isso pareça”, afirma. Os movimentos antivacina em todo o mundo e as notícias falsas envolvendo a imunização, que acabam alimentando esse círculo vicioso, também contribuem para aumentar a desconfiança em relação aos imunizantes, acrescenta o presidente do Departamento de Imunizações da SBP.

A volta do sarampo

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a “hesitação vacinal” como um dos dez maiores riscos à saúde global, em uma lista onde figuravam vírus como os do ebola, da dengue, o HIV e o influenza. Essa relutância ou recusa em vacinar, apesar da disponibilidade de vacinas, foi incluída na lista porque “ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação”, afirmou a OMS4.

A ‘conta’ desse complexo fenômeno também já chegou por aqui, com a volta de doenças que até então tinham sido controladas graças à vacinação, como o sarampo, por exemplo. A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde apresentou em setembro seu mais recente boletim epidemiológico, que apontou que nos nove primeiros meses deste ano foram confirmados 580 casos de sarampo, e 135 casos que ainda permanecem sob investigação. Duas crianças do estado do Amapá que não estavam vacinadas morreram5. “Assim como a volta do sarampo, a gente vê risco para a volta de todas as doenças já controladas, por conta dessa baixa cobertura vacinal no Brasil. A difteria, por exemplo, é uma doença que a gente tem detectado um ou dois casos por ano nos últimos anos, mas há surto de difteria na Venezuela e no Haiti, então o risco também de ter um por aqui é muito grande”, explica o pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha.

Ano passado, menos da metade dos municípios brasileiros atingiram a meta de vacinação para as principais vacinas. A BCG, por exemplo, que previne as formas mais graves da tuberculose e é aplicada entre o nascimento e os 5 anos de idade, foi recebida por apenas 73,3% das crianças brasileiras. Cinco anos antes, em 2015, 100% das crianças dessa faixa etária receberam a vacina6.

Mais que um palpite

A informação de qualidade é a maior arma para fazer com que pais, mães e cuidadores entendam a importância da imunização e deixem de lado os achismos, as notícias falsas e os palpites relacionados à saúde – que, se antigamente estavam restritos a àqueles dados pelos parentes, como tios e avós, agora se alastram de forma viral pelas redes sociais de forma apócrifa. Por isso, em 2018, a SBP, em parceria com a Pfizer, lançou a campanha “Mais que um palpite”.

“O palpite do passado era aquele saudável, bem-intencionado, daquela avó que queria bem aos netos, da tia que teve três filhos, que mandava tomar um chazinho, passar azeite no pé”, brinca o presidente do Departamento de Imunizações da SBP, Renato Kfouri. “A SBP percebeu que nos últimos três anos, contudo, a voz de fala e de orientação do pediatra estava sendo perdida, porque as redes sociais ganharam espaço, com informações sem nenhuma evidência científica sendo disseminadas”, completa. Além de um site com informações de qualidade sobre infância, a campanha “Mais que um palpite” conta, ainda, com uma página no Facebook e um perfil no Instagram com posts informativos sobre saúde (acesse pelo QR Code) e criação de filhos, além de um podcast com entrevistas com médicos sobre temas variados.

Imunização na rede pública x em clínicas privadas

Existem duas formas de se vacinar no Brasil: pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelas clínicas privadas de vacinação. Ambos oferecem imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com segurança e eficácia garantidas. A principal diferença é que as vacinas oferecidas pela rede pública são as recomendadas pelo PNI e levam em conta o conceito de saúde coletiva, são escolhidas e disponibilizadas as vacinas essenciais para a população, e que sejam economicamente viáveis.

Já as clínicas privadas seguem os calendários da SBIm e da SBP que são baseados em proteção individual, ou seja, contemplam todas as vacinas disponíveis que oferecem a proteção mais ampla possível, muitas vezes com menos eventos adversos e com mais possibilidades de tomar vários imunizantes em uma só ‘picadinha’, o que é mais confortável, principalmente para as crianças.8-10

Campanha de multivacinação em curso

Neste mês de outubro, o Ministério da Saúde está com uma Campanha Nacional de Multivacinação em curso nos 45 mil postos de saúde de todo o País. O objetivo é atualizar a caderneta de vacinas de crianças e adolescentes menores de 15 anos (14 anos, 11 meses e 29 dias) com as 18 vacinas que compõem o Calendário Nacional de Vacinação da criança e do adolescente7. O presidente da SBIm, Juarez Cunha, lembra que não há necessidade de intervalo entre a vacina contra a covid-19 e qualquer outro imunizante que eventualmente esteja atrasado no esquema vacinal da criança e do adolescente. “O adolescente pode tomar no mesmo dia a vacina da covid, da gripe, do HPV, a meningocócica. Não podemos perder nenhuma chance de vacinar uma criança ou adolescente”, afirma Juarez Cunha, presidente da SBIm. Recentemente, a vacina meningocócica ACWY foi incorporada ao PNI como reforço para os adolescentes de 11 e 12 anos, uma conquista importante para a proteção desse público-alvo contra alguns tipos de meningite8.


Referências

1.  CDC (1999), ‘Ten great public health achievements – united states, 2001-2010’, MMWR Morbidity and Mortality Weekly Report 48(12), April 02–241; 243

2. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-09/em-queda-desde-2015-coberturas-vacinais-voltam-ao-patamar-de-1980 [Acessado em Outubro 2021]

3. https://sbim.org.noticias/1135-virus-selvagem-da-poliomielite-tipo-3-esta-oficialmente-erradicado# [Acessado em Outubro 2021]

4.  https://www.who.int/news-room/spotlight/ten-threats-to-global-health-in-2019 [Acessado em Outubro 2021]

5.  https://www.gov.br/saude/ptbr/media/pdf/2021/outubro/041/boletim_epidemiologico_svs_34_v2.pdf [Acessado em Outubro 2021]

6.  Panorama da Cobertura Vacinal no Brasil, 2020 – IEPS

7.  https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/setembro/ministerio-da-saude-lanca-campanha-de-multivacinacao-para-criancas-e-adolescentes [Acessado em Outubro 2021]

8. SBIm. Calendário Vacinação Criança 2021. Disponível em: https://sbim.org.br/images/ca lendarios/calend-sbimcrianca.pdf [Acessado em Outubro 2021]

9. Calendário Nacional de Vacinação/2020/PNI/MS. https://www.saude.go.gov.br/files/imunizacao/calendario/ Calendario.Nacional.Vacinac ao.2020.atualizado.pdf [Acessado em Outubro 2021]

10. Sociedade Brasileira de Pediatria –SBP. Calendário de vacinação da SBP - 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23107b-DocCient-Calendario_Vacinacao_2021.pdf [Acessado em Outubro 2021]

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