Dado Ruvic/REUTERS
Dado Ruvic/REUTERS

Vacina contra coronavírus da Moderna tem 94,5% de eficácia, diz empresa após 1ª análise

Anúncio é feito uma semana após a concorrente Pfizer divulgar que o imunizante que está desenvolvendo tem 90% de eficácia

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 09h39

A empresa de biotecnologia Moderna anunciou nesta segunda-feira, 16, que os resultados preliminares da análise da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela empresa apontam eficácia de 94,5% na prevenção da doença, incluindo casos graves. Este resultado faz com que os Estados Unidos tenham a possibilidade de disponibilizar – de forma limitada – duas vacinas contra a covid-19 até o final do ano.  

A notícia é divulgada uma semana após a farmacêutica Pfizer e sua parceira alemã BioNTech informarem uma eficácia inicial de 90% em sua vacina. Os resultados das duas vacinas são preliminares, obtidos a partir da primeira análise interina de eficácia. Ambas seguem o mesmo modelo, usando na formulação RNA mensageiro do vírus como forma de ativar o sistema imunológico.

O bom resultado da vacina da Moderna – feita em colaboração com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid) dos EUA e com o envolvimento de 30 mil voluntários – surpreendeu até mesmo os pesquisadores. “Eu vinha dizendo que ficaria satisfeito com uma vacina 75% eficaz. De forma aspiracional, você gostaria de ver 90%, 95%, mas eu não esperava por isso. Achei que seria bom, mas 94,5% é muito impressionante”, disse Anthony Fauci, diretor do Niaid e uma das três pessoas a receber os resultados no domingo, 15.

A análise interina da Moderna foi feita após ser identificada a contaminação de 95 pessoas entre os voluntários que já receberam duas doses da vacina ou do placebo – 90 dos contaminados estavam no segundo grupo, daí se tira a taxa de eficácia. Com o avanço das pesquisas, é esperado que essa porcentagem possa mudar. A avaliação, feita por um comitê independente, porém, já traz um dado adicional promissor. Todos os 11 casos graves da doença registrados no ensaio clínico estão no grupo que recebeu o placebo.

De acordo com a farmacêutica, não foi relatada nenhuma preocupação significativa com a segurança. E as reações adversas observadas foram leves a moderadas, como dor no local de injeção, fadiga, mialgia e cefaleia, geralmente de curta duração. Com casos de covid-19 restritos quase exclusivamente ao grupo de participantes que não recebeu o imunizante, isso pode sinalizar que a vacina é eficaz em impedir a ação do vírus. Os dados ainda não foram publicados, nem revisados por outros cientistas.

Uso emergencial e oferta

A Moderna se comprometeu a completar os estudos clínicos antes de pedir autorização de uso emergencial da vacina – o que significa esperar até registrar 151 casos de covid-19 entre os participantes. Uma projeção prévia mostrou que os testes podem terminar no começo de 2021, mas com o aumento dos casos de coronavírus nos EUA, a expectativa agora é que os testes cheguem ao fim nos próximos sete a dez dias. 

A explosão de casos do vírus acelera a capacidade de atestar a eficácia de uma vacina. A empresa terá dados suficientes para submeter um pedido de autorização de uso à agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA) pouco antes do feriado de Ação de Graças, celebrado em 26 de novembro, disse Stéphane Bacel, chefe executivo da Moderna. Ele também adiantou que a vacina deve começar a ser disponibilizada para pessoas de alto risto na segunda metade de dezembro. 

Diferentemente da Pfizer, que investiu US$ 2 bilhões do próprio dinheiro na pesquisa e desenvolvimento da vacina, a Moderna faz parte da “Operation Warp Speed”, iniciativa do governo norte-americano para diminuir o risco financeiro do processo de pesquisa da vacina, que investiu em empresas e ajudou a coordenar os testes clínicos. 

A Moderna recebeu US$ 2,5 bilhões do governo dos Estados Unidos para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina, enquanto a Pfizer assinou acordo para vender doses ao governo americano. 

A Moderna estima que pode produzir 20 milhões de doses até o fim do ano – suficientes para 10 milhões de pessoas receberem as duas doses. A companhia tem como meta produzir ao menos 500 milhões de doses em 2021, com a possibilidade de escalar para 1 bilhão de doses dependendo da disponibilidade de insumos.

Reguladores da FDA ainda precisam revisar os dados das pesquisas da Moderna e da Pfizer, mas os resultados preliminares de eficácia sugerem que as duas vacinas podem ser disponibilizadas para pessoas de alto risco antes do fim do ano. Esse processo de vacinação poderia levar até quatro meses e, em abril, a vacina poderia ser distribuída para o resto da população.  

A vacina da Pfizer requer armazenamento a temperaturas de – 70 graus Celsius, o que limita a logística de distribuição das vacinas. A Moderna anunciou nesta segunda-feira, 16, que a vacina pode ser conservada em temperaturas normais de geladeiras por um mês e, congeladas, por até seis meses. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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