Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Vacina contra covid-19 da Sinopharm produz anticorpos em testes clínicos, aponta estudo

Imunizante já passou para a fase 3 de testes e está sendo aplicado em 15 mil voluntários nos Emirados Árabes Unidos; caso seja constatada a segurança e eficácia, vacina pode ganhar aprovação regulatória

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 10h52

Mais uma vacina candidata contra o novo coronavírus, a desenvolvida pela chinesa Sinopharm (Grupo Farmacêutico Nacional da China), desencadeou respostas imunes baseadas em anticorpos em testes iniciais e intermediários, disseram os pesquisadores, na quinta-feira, 13.

O imunizante já passou para a última etapa, a fase 3. Caso seja constatada a segurança e eficácia, a vacina ganha aprovação regulatória. A Sinopharm está testando a substância nos Emirados Árabes Unidos, em 15 mil voluntários, já que a China tem poucos casos novos de covid-19 para ser um local de testes útil. A vacina também será fornecida ao Paquistão, como parte de um acordo experimental, informou o Wall Street Journal.

A injeção não causou efeitos colaterais graves, de acordo com um artigo publicado no Journal of the American Medical Association por cientistas que fazem parte da Sinopharm e de outras autoridades chinesas de institutos de pesquisa. Os resultados foram baseados em dados de 320 adultos ​​em estudos de fase 1 e 2.

Ainda segundo os pesquisadores, o imunizante desencadeou respostas robustas de anticorpos em pessoas inoculadas, mas ainda não se sabe se isso é suficiente para prevenir a infecção pela covid-19.

O presidente da Sinopharm disse à mídia estatal no mês passado que uma vacina em potencial poderia estar pronta no final deste ano, com testes de fase 3 previstos para serem concluídos em cerca de três meses.

O novo coronavírus, que matou mais de 760 mil pessoas em todo o mundo, gerou uma corrida para desenvolver uma vacina. Mais de 165 vacinas candidatas estão sendo desenvolvidas e testadas em todo o mundo.

A Rússia se tornou o primeiro país a conceder aprovação regulatória a uma vacina, após menos de dois meses de testes em humanos. A aprovação abre caminho para a imunização em massa da população russa, ainda que o estágio final de ensaios clínicos para testar a segurança e eficácia não tenha sido concluído. 

Vacina da Sinopharm no Brasil

A Bahia é hoje um dos principais centros de testagem de vacinas contra o coronavírus no Brasil. Depois de iniciar os testes do imunizante da farmacêutica americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech na semana passada, o governo estadual vai assinar nos próximos dias acordo para os ensaios com a vacina chinesa Sinopharm. Além disso, negocia com a Rússia a testagem da primeira vacina registrada no mundo.

O governador Rui Costa (PT) vai assinar esta semana o protocolo de cooperação com a Sinopharm para testagem de duas variações de uma vacina na Bahia e em outros Estados do Nordeste.

Se aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a parceria prevê o início dos testes na primeira quinzena de setembro, e duração de três meses.

Além da vacina russa, o governo do Paraná também discute parceria para desenvolver a o imunizante chinês por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Na última terça-feira, 4, o Ministério da Saúde também realizou reunião com a empresa chinesa Sinopharm.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.