Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Vacina contra febre amarela é indicada para quem vai viajar a área de risco

Segundo infectologista, apesar de os novos casos serem preocupantes, as áreas de risco no País não aumentaram

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2017 | 21h17

Para o infectologista Jessé Reis Alves, coordenador do Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, "o aumento de casos suspeitos (de febre amarela) é muito expressivo", mas ainda é preciso saber quantos são realmente casos confirmados. "A definição de caso pode ser muito sensível e acabar enquadrando pessoas com sintomas parecidos, mas que não têm realmente a doença", explica.

A grande preocupação é que a doença passe a ser transmitida no meio urbano. Todos os casos humanos conhecidos hoje foram adquiridos após picadas de mosquitos silvestres, que, por sua vez, se contaminaram ao picar macacos doentes. O medo é que se houver muitas pessoas doentes em uma área urbana muito populosa, mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, que até os anos 1940 transmitia a doença em cidades, volte a fazê-lo. "Mas ainda não há nenhuma evidência de que haja ciclo urbano", aponta Alves.

O médico ressalta também que, apesar de os novos casos serem preocupantes, as áreas de risco no País não aumentaram, continuam sendo as mesmas. 

Pelo menos desde 2009, depois do surto que atingiu São Paulo e desceu até o Rio Grande do Sul, o mapa de áreas nas quais o Ministério da Saúde recomenda vacinação inclui todo o Estado de Minas Gerais e o noroeste e oeste de São Paulo. Praticamente só está livre dessa recomendação a zona costeira do País e boa parte da Bahia e os outros Estados do Nordeste.

"Minas sempre foi considerado de risco nas áreas rurais, parques nacionais, áreas de floresta e de transição para a área rural", explica Alves, que recomenda a vacinação para quem for viajar para essas regiões, mas somente nesses casos.

"Mesmo se a pessoa estiver indo para a capital Belo Horizonte, é bom vacinar, porque vai que surge algum passeio que não estava previsto para uma área de campo?", afirma. "Se for viajar, sim, vacine-se, mas quem for ficar em São Paulo, fique tranquilo, não há risco", complementa.

O estudante Guilherme Barros Duarte, de 18 anos, se encaixa exatamente no primeiro caso. Ele vai para Inhotim, em Brumadinho (MG), somente no final do mês, mas já se precaveu e nesta sexta-feira, 13, procurou o Emílio Ribas. "Meu avô viu o noticiário e ficamos preocupados. Vou viajar para lá com uma amiga, que está no Japão. Fui eu correndo daqui e ela de lá", conta. Guilherme fez a coisa certa. Segundo Alves, quem nunca se vacinou contra a doença precisa se imunizar pelo menos dez dias antes de viajar.

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