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Vacina contra o câncer de mama é testada com sucesso em ratos

Pesquisadores planejam provar eficácia em humanos; droga pode levar anos até chegar ao público

BBC Brasil

31 Maio 2010 | 16h02

LONDRES - Cientistas americanos dizem ter desenvolvido uma vacina que impediu o desenvolvimento do câncer de mama em ratos. Os pesquisadores planejam agora fazer testes da droga em humanos. Eles avisam, no entanto, que pode levar alguns anos até que uma vacina esteja disponível para o público.

 

O imunologista que chefiou a pesquisa, Vincent Tuohy, do Cleveland Clinic Lerner Research Institute, disse que a vacina age em uma proteína encontrada na maioria dos tumores da mama.

 

"Acreditamos que essa vacina será usada um dia para prevenir o câncer de mama em mulheres adultas, da mesma forma como vacinas vêm impedindo muitas doenças na infância", disse Tuohy. "Se (a vacina) funcionar em humanos da mesma forma como em ratos, vai ser monumental. Poderíamos eliminar o câncer de mama", completou.

 

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine.

 

Desafio

 

No estudo, ratos com grande probabilidade genética de desenvolver câncer de mama foram vacinados. A metade recebeu vacinas contendo a droga a-lactalbumina e a outra metade foi vacinada com uma droga que não continha a substância.

 

Nenhum dos animais vacinados com a-lactalbumina desenvolveu o câncer de mama. Todos os outros ratos apresentaram a doença.

 

Os Estados Unidos aprovaram duas vacinas para a prevenção do câncer: uma contra o do colo de útero e outra contra o de fígado. Entretanto, essas vacinas atuam em vírus - o vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) e o vírus da hepatite B (HBV) - e não na formação do câncer.

 

Câncer é um crescimento desordenado de células do corpo. Por isso, ao contrário de um vírus, não é reconhecido pelo organismo como um invasor ou um corpo estranho. Isso dificulta a criação de uma vacina preventiva, pois vacinar o corpo contra o crescimento excessivo de células significa vacinar o paciente contra seu próprio organismo, provocando a destruição de tecidos saudáveis.

 

Futuro

 

Caitlin Palframan, representante da entidade beneficente Breakthrough Breast Cancer, disse que o estudo pode ter implicações futuras importantes na prevenção contra o câncer de mama.

 

"Entretanto, o estudo está em fase inicial, e nós aguardamos com interesse os resultados de experimentos em grande escala para verificar se essa vacina seria segura e efetiva em humanos", acrescentou Palframan.

 

Ela disse que há medidas que mulheres podem adotar para reduzir os riscos do câncer da mama, como diminuir o consumo de álcool, manter o peso ideal e fazer exercícios regulares.

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