Andreas Gebert/Reuters
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Vacina da China com Butantã começará a ser testada em humanos em 20 de julho

Dimas Covas diz que vacina tem se mostrado ‘das mais promissoras’; procedimento será realizado em 9 mil voluntários que trabalham na área de saúde

Priscila Mengue e Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 13h43

O governador de São PauloJoão Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira, 6, que o Instituto Butantã começará a fazer testes rm humanos da vacina chinesa Coronavac, contra o novo coronavírus, a partir de 20 de julho. O início da testagem foi liberado na sexta-feira, 3, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

A vacina foi criada pelo laboratório chinês Sinovac Biotech e é vista pelo diretor do Butantã, Dimas Covas, como “uma das mais promissoras” entre as testadas no mundo. Segundo ele, se os resultados forem positivos, o objetivo é começar a vacinação em “meados” de 2021. 

"Se a vacinação se mostrar eficiente, nós vamos ter a disponibilidade da vacina imediatamente. Sessenta milhões de doses estão reservadas para o Brasil, que será suficiente para cobrir as necessidades já previstas. O Ministério da Saúde estabelecerá os critérios nacionais de aplicação da vacina", apontou.

O imunizante é produzido a partir de cepas inativadas do novo coronavírus. No Brasil, será testado por 12 centros de pesquisa dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, além do Distrito Federal. Para verificar a eficiência, parte dos voluntários receberá um placebo. Ele será testado exclusivamente em 9 mil voluntários que trabalham na área de saúde, os quais poderão se inscrever a partir de 13 de julho por um aplicativo. 

"Tanto a fase 1 quanto a fase 2, foram realizadas com voluntários chineses. Agora toda essa documentação gerada na China foi encaminhada para o Brasil, para a Anvisa. Esses dados estão disponíveis na Anvisa, estão registrados e mostram esses dados que eu apresentei. Após 14 dias, 90% das pessoas desenvolveram proteção", afirmou Covas.

"Profissionais de saúde serão incluídos trabalhando no atendimento a pacientes de covid-19, porque esses profissionais são os que estão mais expostos. É necessário ter mais de 18 anos, sem estar infectado ou ter tido infectado pelo novo coronavírus", justificou.

O custo da testagem é estimado em R$ 85 milhões e prevê a transferência de tecnologia para que a vacina chinesa possa ser produzida no Brasil. "A partir de setembro deste ano, estarão disponível doses em um volume muito grande, em torno de 100 milhões de doses. Essa fábrica da Sinovac terá capacidade de produzir, até o final do ano, 300 a 500 milhões de doses", disse Covas.

"Espero que, antes de outubro, a gente termine a inclusão dos 9 mil voluntários. Com isso, poderemos ter uma análise preliminar dos resultados ainda nesse ano, o que levará ao uso da vacina já em meados do ano que vem", completou. Além das doses que serão fornecidas pela empresa chinesa, o Butantã está adaptando uma fábrica para a produção da vacina.

Na capital paulista, os centros de pesquisa que participarão das testagens são o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o Hospital Israelita Albert Einstein. Ainda no estado de São Paulo participarão a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp (Campinas), a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

As pesquisas serão realizadas, ainda, na Universidade de Brasília (UnB), no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Hospital São Lucas da PUC-RS, em Porto Alegre, e no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Em junho, o governo federal também anuncio a realização de ensaios clínicos deoutra vacina produzida na Universidade de Oxford, na Inglaterra. 

Estado de SP chega a 16.134 mortes por covid-19

 

De acordo com balanço da Secretaria Estadual da Saúde desta segunda-feira, 6, São Paulo tem 16.134 mortes por covid-19, das quais 56 foram registradas nas últimas 24 horas. Ao todo, são 323.070 casos confirmados. 

A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 63,9%, média que cai para 63,3% na Grande São Paulo. O número de internados com suspeita ou confirmação da doença é de 5.501 pacientes em UTI.

Na coletiva de imprensa, o coordenador do Centro de Contingência Contra a Covid-19, Paulo Menezes, voltou a mostrar a projeção da pandemia no Estado até a metade de julho. Nesse período, é esperado que São Paulo chegue a até 470 mil casos confirmados, dos quais entre 18 mil e 23 mil resultarão em óbitos.

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