Kamil Krzaczynski/AFP
Kamil Krzaczynski/AFP

Vacina da Janssen é associada a pequeno aumento no risco para Síndrome de Guillain-Barré

O elo entre esse raro transtorno neurológico e a vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson pode ser real, mas o risco parece ser muito pequeno. Vacinação com o imunizante não deve ser interrompida

Emily Anthes, The New York Times

13 de julho de 2021 | 12h23

A vacina da Janssen, da Johnson & Johnson, contra a covid-19 pode ser associada a um pequeno aumento no risco de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara, mas potencialmente grave, informou a FDA - Agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos. A agência adicionou um alerta sobre o efeito colateral potencial à ficha técnica da vacina.

O risco parece ser muito pequeno. Até agora foram reportados 100 casos da síndrome em pessoas que receberam a vacina. Quase 13 milhões de doses do imunizante da Johnson & Johnson foram administradas nos Estados Unidos.

Abaixo veja algumas respostas para as perguntas mais comuns sobre essa síndrome e sua relação com a vacina.

O que é a Síndrome de Guillain-Barré?

Trata-se de uma doença rara em que o sistema imune do corpo ataca as células nervosas. Causa fraqueza dos músculos e paralisia. Embora os sintomas com frequência desapareçam em questão de semanas, em alguns casos prejudicam o sistema nervoso. Nos Estados Unidos são registrados normalmente entre três mil e seis mil casos da síndrome a cada ano, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). É mais comum em adultos com mais de 50 anos de idade.

A causa exata da síndrome é desconhecida, mas em muitos casos ela surge depois de uma doença ou infecção, como a gripe. E foi registrada em pessoas que contraíram a covid-19.

O que isso tem a ver com a vacina?

Esta não é a primeira vacina a ser associada à síndrome Guillain-Barré, apesar de o risco aparentemente ser muito pequeno. Uma ampla campanha de vacinação contra a gripe suína em 1976 levou a um pequeno aumento da incidência da síndrome; a vacina causou um caso em cada grupo de 100 mil pessoas vacinadas. A vacina contra a gripe sazonal está associada a aproximadamente dois casos da síndrome para cada um milhão de vacinas administradas.

“Acho que os dados são bem convincentes no sentido de que a vacina contra a gripe pode causar a síndrome de Guillain-Barré, mas o risco é muito pequeno”, afirmou Daniel Salmon, diretor do Institute for Vaccine Safety na Johns Hopkins University.

A vacina contra o Herpes Zoster também aumenta o risco da síndrome.

Não estão totalmente claras as causas dessa doença rara. “Não compreendemos realmente o mecanismo biológico. É muito frustrante”, afirmou Salmon.

O que sabemos sobre a sua conexão com as vacinas contra a covid-19?

Uma centena de informes sobre a síndrome após a aplicação da vacina da Johnson & Johnson foi apresentada ao Sistema de Notificação de Eventos Adversos da Vacina (VAERS), declararam as autoridades na segunda-feira. Em 95 casos a hospitalização foi necessária e um foi fatal.

A síndrome, no geral, foi constatada duas semanas após a vacinação, especialmente em homens, muitos deles com idade superior a 50 anos. Não há evidências suficientes para determinar que a vacina causa a síndrome, mas a FDA continuará a monitorar a situação, segundo afirmou em um comunicado.

Ainda não há dados sugerindo um elo entre a síndrome e as vacinas contra a covid fabricadas pela Pfizer-BioNTech ou pela Moderna, que utilizam uma tecnologia diferente, declarou a FDA.

Quais os sintomas que devem ser observados?

A síndrome costuma surgir 42 dias após a vacinação, observa a FDA no registro de dados de pacientes. Você deve consultar um médico se começar a sentir fraqueza ou formigamento nos braços e pernas, visão dupla ou dificuldade para andar, falar, mastigar, engolir ou controlar a bexiga ou os intestinos.

Devo ainda tomar a vacina contra a covid-19?

Se o elo entre a vacina e a síndrome for real, parece ser em muito superado pelos riscos da covid-19, afirmam especialistas. Nos Estados Unidos, quase todas as hospitalizações e mortes decorrentes da covid-19 ocorrem entre os que não estão vacinados, de acordo com o CDC. A agência recomenda que qualquer pessoa com idade superior a 12 anos seja vacinada.

“Tudo comporta riscos. E o importante para a tomada de decisão é otimizar os benefícios e reduzir os riscos”, disse Daniel Salmon. “A covid é uma doença muito cruel que já matou 600 mil pessoas”. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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