Remo Casilli/ Reuters
Remo Casilli/ Reuters

Fiocruz vai pedir aval para testar vacina Oxford/AstraZeneca em crianças

Imunizante tem registro da Anvisa apenas para uso na população acima de 18 anos

Pedro Fonseca, Reuters

30 de março de 2021 | 16h14

RIO - A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, afirmou nesta terça-feira, 30, que um pedido será apresentado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realização no Brasil de estudo com crianças da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19.

A vacina da AstraZeneca, que atualmente é envasada pela Fiocruz e posteriormente será totalmente produzida pela fundação, recebeu registro da Anvisa para uso na população acima de 18 anos. Até o momento, nenhuma vacina da covid foi testada no Brasil para uso em crianças e adolescentes.

"Nesse momento deve ter início, deve-se entrar com protocolo para pesquisa no Brasil da vacina que nós estamos produzindo na Fiocruz a partir do acordo com a AstraZeneca, para uso pediátrico. Então, espero que em breve nos tenhamos a aprovação desse estudo", disse a presidente da Fiocruz em evento online sobre a covid-19 com a presença também de autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Acho que tem que ser de fato um dos focos de atenção ter (a vacina) aprovada para uso pediátrico e em adolescentes também", acrescentou Nísia, que citou ainda a importância da realização de estudos da vacina em gestantes - outro grupo ainda fora da campanha de imunização contra a doença.

A Universidade de Oxford, que desenvolveu a vacina em parceira com a AstraZeneca, anunciou no mês passado que lançou um estudo para avaliar a segurança e a resposta imune do imunizante em crianças pela primeira vez. A presidente da Fiocruz também afirmou, no evento online realizado pela OMS, que a vacinação brasileira deve avançar em abril, quando alguns Estados conseguirão vacinar toda a população acima de 60 anos, segundo ela.

O Brasil, que enfrenta o pior momento da pandemia de covid-19, com quase 2.600 mortes por dia em média nos últimos 7 dias, sofre com o ritmo lento da vacinação desde o início em janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde, 14 milhões de pessoas foram vacinadas com a primeira dose no País, o equivalente a 6,6% da população brasileira.

Mesmo que a campanha de vacinação melhore de ritmo, autoridades da OMS alertaram que a imunização sozinha não será capaz de conter a pandemia sem que sejam cumpridas medidas de prevenção e controle. "Há uma falsa sensação de segurança com chegada das vacinas, mas é extremamente importante não baixar a guarda das medidas de controle mesmo com as vacinas disponíveis", disse Mariângela Simão, diretora-geral-assistente da Organização Mundial da Saúde para Acesso a Medicamentos, Vacinas e Produtos Farmacêutico.

Segundo ela, o Brasil vive uma fase "bastante aguda" da pandemia, e a população precisa estar preparada para lidar com essa situação. "Vamos sair dessa, mas ainda vai levar um tempo", afirmou. O diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, também reforçou a importância das medidas de contenção, como isolamento e uso de máscaras, ressaltando que a constante circulação do vírus é responsável pelo surgimento de novas variantes ainda mais perigosas.

De acordo com ele, 14 países das Américas, além do Brasil, já registraram casos da variante P.1, originada em Manaus e que carrega uma mutação que a torna de 2 a 2,5 vezes mais transmissível - o que tem colaborado para a atual crise atravessada pelo Brasil. "Quanto mais deixamos o vírus circular, damos mais chances de ele se transformar e provocar ainda mais casos e mortes", afirmou. "Com a continuação da circulação do vírus, outras variantes provavelmente irão surgir.

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