Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Vacina de Oxford produz em idosos resposta imunológica contra covid-19, diz AstraZeneca

De acordo com a farmacêutica, a resposta é similar em adultos mais velhos e mais jovens e há menos reações adversas em idosos; imunizante está sendo testado no Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 08h18
Atualizado 26 de outubro de 2020 | 19h58

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford produz resposta imunológica similar em adultos mais velhos e mais jovens e tem reações adversas menores entre os idosos, anunciou a farmacêutica AstraZeneca nesta segunda-feira, 26. A vacina, produzida em parceria da empresa com a universidade, está sendo testada no Brasil.

Uma vacina eficaz é vista como divisor de águas na luta contra o novo coronavírus, que já matou mais de 1,1 milhão de pessoas, abalou a economia global e impactou a vida de milhões em todo o mundo. 

“É animador ver que as respostas imunológicas foram similares entre adultos mais velhos e mais jovens e que as reações adversas foram menores em adultos mais velhos, que têm maior risco de gravidade da doença”, disse um porta-voz da AstraZeneca à agência Reuters. “Esses resultados ajudam a construir a evidência para a segurança e imunogenicidade da AZD1222”, disse o porta-voz, ao usar o nome técnico da vacina. 

O porta-voz da farmacêutica se manifestou após a informação ter sido publicada mais cedo pelo jornal The Financial Times. O periódico inglês afirmou que a vacina produziu uma "resposta robusta" em idosos, que são o grupo para o qual a covid-19 traz o maior risco. De acordo com a reportagem, a vacina provoca a produção de anticorpos protetores e de células T em idosos.

Os resultados foram confirmados ao Estadão pelas assessorias da AstraZeneca e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que coordena o braço brasileiro do estudo. De acordo com a farmacêutica, os dados mostraram que a vacina "tem um perfil de tolerabilidade aceitável e é imunogênica, ou seja, produz resposta imunológica em adultos acima de 18 anos de idade, inclusive idosos.

A empresa disse ainda que foram observadas respostas imunológicas mais fortes após uma segunda dose administrada um mês depois da primeira. As reações locais e sistêmicas da aplicação da vacina diminuíram após a segunda dose.

A notícia de que pessoas mais velhas produzem resposta imunológica com a vacina é positiva porque o sistema imunológico enfraquece com a idade e os mais velhos têm maior risco de morrer com a covid-19. "Muitas vezes as pessoas mais velhas não conseguem produzir a mesma quantidade de anticorpos ou anticorpos tão eficazes quanto uma pessoa mais jovem, pois seu sistema imunológico é mais lento e vulnerável. No caso da vacina de Oxford, se ela se mostrar eficaz, também poderá ser usada nas pessoas idosas", destacou Soraya Smaili, reitora da Unifesp.

Os exames de sangue que testam a imunogenicidade feitos em pacientes mais velhos parecem corroborar resultados divulgados em julho, que mostraram que a vacina gera “respostas imunes robustas” em um grupo de adultos saudáveis de 18 a 55 anos, disse o Financial Times. O jornal afirmou que detalhes dos novos resultados devem ser divulgados em breve em uma publicação científica.

O fato de a vacina induzir resposta imune não garante que ela seja eficaz no combate à doença. "Para atestar eficácia, precisamos dos resultados de fase 3, em que vamos ver se essa resposta imune é suficiente para proteger da infecção", esclarece Soraya.

A vacina de Oxford/AstraZeneca é uma das que estão com os testes mais avançados. Ela está na fase 3 dos ensaios clínicos, assim como a da chinesa Sinovac, feita em parceria com o Instituto Butantã, a da Pfizer e da BioNTech. É somente ao final da fase 3 que consegue atestar a eficácia de uma vacina.

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, disse que uma possível vacina ainda não está pronta, mas o governo já prepara a logística de distribuição. Ele acredita que a vacinação pode ocorrer no primeiro semestre de 2021. 

Em entrevista à BBC, Hancock foi questionado sobre a possibilidade de vacinação ainda neste ano. “Eu não descarto (a possibilidade), mas não é a minha real expectativa. O programa (de desenvolvimento da vacina) está indo bem, mas ainda não chegamos lá”, disse ele.

A vacina AZD1222 deve gerar proteção por um ano, segundo declaração feita em junho pelo CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot. A farmacêutica britânica firmou parcerias com fornecedores e governos em todo o mundo, incluindo o Brasil. 

Testes no Brasil

Ao todo, 10 mil voluntários participam dos testes da vacina no Brasil, realizados pela (Unifesp). No final de junho, o governo brasileiro anunciou um acordo de cooperação com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca para a produção em território nacional da vacina. O imunizante será fabricado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Cerca de 9 mil voluntários brasileiros já foram vacinados com pelo menos uma dose do imunizante ou do placebo. Para tornar-se voluntário da pesquisa da vacina de Oxford no Brasil, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail agendamentovacinacovid@gmail.com ou por WhatsApp no número (11) 96270-5902.

No início deste mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu início ao processo de revisão de dados para registro da vacina no Brasil, realizado por submissão contínua, ou seja, as informações são avaliadas conforme se tornam disponíveis, não apenas no momento de um pedido formal./ FABIANA CAMBRICOLI, com informações da REUTERS

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