Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

Vacina para novo coronavírus deve demorar pelo menos 18 meses

Comando da OMS informou que pacientes de Espanha e Noruega estão envolvidos em experimentos

Gabriel Bueno da Costa, Paulo Beraldo e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2020 | 05h00

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que uma vacina para coronavírus ainda deve demorar “pelo menos 18 meses”, apesar dos testes em andamento. O comando da OMS informou que pacientes de Espanha e Noruega estão envolvidos em experimentos. 

Mas Ghebreyesus insistiu para que pessoas não usem remédios que não tenham eficácia comprovada, diante dos riscos à saúde com esse comportamento. A OMS insistiu na importância de que países realizem testes para identificar casos, isolar os positivos e cuidar dos registros mais graves. “Muitos países mostram que o vírus pode ser controlado, com medidas agressivas nessa linha”, disse a entidade. “O coronavírus pode causar doença leve, moderada, grave ou matar”, lembrou, comentando também que a doença é “significativa”, por causar “doença severa em muitas pessoas”.

Mesmo no caso das crianças, em que a maioria desenvolve doenças leves, há registros de casos graves, advertiu a OMS. A entidade lembrou ainda que a doença já é transmitida em seus estágios iniciais, por isso a importância do distanciamento para conter os contágios. “A distância física é recomendada para impedir que o vírus passe de uma pessoa para outra.”

“Essa é uma doença capaz de causar impactos em todas as pessoas de todas as idades”, afirmou Maria Van Kherkove, especialista em doenças infecciosas da OMS. Na Coreia do Sul, apenas 20% dos casos de contaminação eram de pessoas com mais de 60 anos. Na Itália, 15% dos internados em unidades de terapia intensiva tinham menos de 50 anos. “A grande questão é que você pode transmitir para alguém e a pessoa morrer. Todo mundo tem papel nisso.”

Tedros informou ainda que o fundo de solidariedade contra o coronavírus já recebeu US$ 108 milhões, com doações de mais de 203 mil pessoas e organizações. "Para fortalecer nosso apelo a todos os países para que conduzam pesquisas e façam testes, estamos trabalhando para aumentar a produção e a capacidade de testes em todo o mundo", afirmou. “O sucesso de um país é o sucesso de outro. E o fracasso de um é o do outro. Estamos juntos nessa luta”, resumiu Maria Kherkove.

Brasil. A Fiocruz vai coordenar no Brasil os esforços mundiais para investigar a eficácia de quatro tratamentos contra a covid-19, entre eles a cloroquina e a hidroxicloroquina, usadas contra a malária e que se mostraram promissoras em alguns testes iniciais, ainda feitos com poucas pessoas no mundo. Os testes farão parte do ensaio clínico Solidariedade (Solidarity), lançado pela OMS.

No País, vão participar 18 hospitais de 12 Estados, com o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde. De acordo com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, os medicamentos que o estudo clínico apontar como os mais adequados à doença poderão ser produzidos em Farmanguinhos.

A fundação também iniciou a construção de uma nova estrutura para ajudar os governos estadual e municipal a combater a doença.

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