Vacina protege ratos do efeito da cocaína por até 13 semanas

Tratamento combina molécula similar à droga com vírus da gripe comum; pesquisa pode oferecer possibilidade de tratamento

estadão.com.br,

05 Janeiro 2011 | 09h55

Pesquisadores produziram um efeito duradouro contra a cocaína em ratos administrando uma vacina segura que combina partes do vírus da gripe comum com uma partícula que imita a cocaína.

 

No estudo, publicado na terça-feira, 4, na edição online da revista Molecular Therapy, os pesquisadores disseram que essa nova estratégia pode ser a primeira a oferecer uma maneira simples para que os viciados em cocaína consigam reverter sua dependência, além de também poder ser potencialmente usada para lidar com outras drogas, como a nicotina, a heroína e outros opiáceos.

 

"Nossos dados mostram que podemos proteger ratos contra os efeitos da cocaína e pensamos que essa abordagem possa ser promissora na luta contra a dependência em humanos", disse o pesquisador Ronald G. Crystal, da Universidade de Cornell em Nova York, Estados Unidos.

 

Ele afirma que a resposta de anticorpos produzidos pelos ratos de laboratório bloqueia as moléculas de cocaína antes que a droga elas cheguem ao cérebro desses animais, prevenindo quaisquer dos efeitos prazerosos produzidos pela droga. O efeito da vacina durou ao menos 13 semanas.

 

A novidade desse novo possível tratamento é que ele agrega uma substância química que é muito similar em estrutura à cocaína a componentes do adenovírus, um vírus de gripe comum. Dessa forma, os sistema imunológico humano é alertado pelo agente infeccioso (o vírus) mas também aprende a "ver" a cocaína como uma intrusa, disse Crystal. Uma vez que a estrutura invasora é reconhecida, a imunidade natural se desenvolve, de forma que qualquer partícula de cocaína ingerida de qualquer forma é impedida de chegar ao cérebro pelos anticorpos.

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