Vacina reduz em 85% nº de casos hemorrágicos

Estudo feito pela farmacêutica Sanofi foi publicado nesta quinta-feira na revista científica britânica 'The Lancet'

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

10 Julho 2014 | 21h43

SÃO PAULO - Um estudo da farmacêutica Sanofi, publicado nesta quinta-feira, 10, na revista científica britânica The Lancet, mostra que uma vacina contra a dengue reduziu em 88,5% o número de casos de dengue hemorrágica e em 56% o número de casos comuns da doença em testes em três países asiáticos. O documento apontou ainda diminuição de 67% dos riscos de hospitalizações.

Esse foi o primeiro teste de uma vacina contra a doença que chegou à fase 3, aplicada em um grande número de voluntários e última etapa antes de a vacina ser submetida aos órgãos reguladores dos países. O documento, no entanto, não mostrou a mesma eficácia acima dos 50% contra todos os quatro subtipos da doença comum. Contra o subtipo 2 foi obtida a menor proteção: 35%. Já nos subtipos 3 e 4 a proteção chegou a 75% e, contra o subtipo 1, teve eficácia de 50%. 

O estudo foi feito em 10.275 crianças de 2 a 14 anos em 12 áreas endêmicas de Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietnã. Foram aplicadas, no total, três dose da vacina - uma a cada 6 meses - para cada um dos voluntários. Dois terços das crianças receberam a vacina e um terço recebeu placebo (dose sem princípio ativo). 

Segundo a diretora de saúde pública da Sanofi, Lucia Bricks, é comum que as vacinas tenham melhor desempenho entre as formas mais graves das doenças, como ocorre com a gripe. “A redução de casos da dengue hemorrágica é de grande importância porque reduz a forma mais grave, que, embora mais rara, é mais perigosa.”

Ela explica que um dos objetivos do estudo era alcançar ao menos 25% de proteção contra a dengue. "A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima reduzir em 50% a mortalidade e 25% a morbidade. Quando o estudo foi desenhado, o mínimo esperado era de 25% de eficácia contra qualquer forma de dengue e qualquer sorotipo, e conseguimos 56%, o dobro do esperado."

De acordo com o estudo, houve boa tolerância da vacina: um total de 647 sérios efeitos colaterais foram relatados, 402 (62%) no grupo que recebeu a vacina e 245 (38%) naqueles que receberam a vacina apenas com o placebo. 

A vacina também está sendo testada em países da América Latina, incluindo o Brasil, com um número ainda maior de voluntários: 20 mil. O resultado deve ser publicado ainda neste ano, segundo Lucia. Com um maior número de voluntários, explica ela, será possível avaliar melhor a eficácia da vacina. 

Após a consolidação dos resultados dessa segunda etapa, a vacina será submetida aos órgãos reguladores dos países para então ser comercializada. “Esperamos que isso ocorra até o fim de 2015.”

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