Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Vacinação contra covid será simultânea em todo o País, diz Ministério da Saúde

Pasta informou que adquiriu a totalidade das vacinas produzidas pelo Instituto Butantã e que doses serão distribuídas proporcionalmente à população de cada Estado

Marlla Sabino, O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2021 | 17h36
Atualizado 09 de janeiro de 2021 | 21h22

O Ministério da Saúde informou neste sábado, 9, que acertou com o Instituto Butantã a compra da totalidade das vacinas contra covid-19 produzidas pelo laboratório e que a vacinação com o imunizante será simultânea em todo o País. Em nota, a pasta afirmou que as doses serão distribuídas em quantidade proporcional à população de cada Estado. Com isso, todos os brasileiros receberão o imunizante contra o coronavírus ao mesmo tempo, de forma gratuita. 

O documento do Ministério da Saúde não define uma data para o início da vacinação. Nesta semana, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a aplicação poderia começar dia 20, na melhor das hipóteses. O Ministério diz que o acordo foi feito também nesta sexta-feira em reunião com representantes do Instituto Butantã. Com isso, as 100 milhões de doses adquiridas pela pasta serão incorporadas ao Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.

A Coronavac é produzida pelo Butantã, órgão ligado ao governo de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. A gestão João Doria (PSDB) já declarou que pretende iniciar a vacinação no próximo dia 25. Com o acordo, no entanto, a campanha passa a seguir a logística da pasta federal.

O Ministério disse, ainda, que todas as vacinas adquiridas ou em negociação, que tenham aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguirão o mesmo caminho, sendo incorporadas e distribuídas a toda a população, ao mesmo tempo. "Assim, brasileiros de todo o País receberão a vacina simultaneamente, dentro da logística integrada e tripartite, feita pelo Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde", diz o comunicado.

"Os Estados receberão as doses em quantidade proporcional à sua população e farão a distribuição aos 5.570 municípios brasileiros, de forma que todas as salas de vacinação do País recebam as vacinas o mais rápido possível."

Ao Estadão, o Instituto Butantã confirmou a cláusula de exclusividade do contrato firmado com o Governo Federal. Com isso, os 10,8 milhões de doses que o estado possui em estoque não são destinados unicamente à população paulista. De acordo com João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19, cerca de 20% das vacinas vão permanecer em São Paulo. O restante será administrado pelo Ministério da Saúde e distribuído aos outros estados. 

Na nota deste sábado, o governo afirmou que a campanha deve começar tão logo os imunizantes recebam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para uso emergencial ou o registro definitivo. Na sexta-feira, o Instituto Butantã e a Fiocruz, que produz a vacina de Oxford no Brasil, entraram com pedido de uso emergencial das vacinas na agência reguladora. O resultado deve ser divulgado no prazo máximo de dez dias.

Secretário de SP comemora medida e diz que previsão do dia 25 está mantida

O secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, comemorou a inclusão e a compra da vacina do Butantã pelo programa nacional. "Estamos muito felizes. Era o que o Estado de São Paulo e o governador João Doria queriam há muitos meses", afirmou ao Estadão. "Defendemos o direito equânime, uma questão democrática, de o Brasil todo receber a Coronavac."

Mesmo com as doses sendo centralizadas e distribuídas pelo governo federal a partir de agora, Gorinchteyn afirma que a medida não deve altera a previsão de iniciar a campanha no próximo dia 25 em São Paulo. "Isso não muda", disse.

"Essas vacinas vão para uma central em São Paulo e serão disponibilizadas para todo o País, a partir do momento que for liberada pela Anvisa. O que for de São Paulo vai ficar em São Paulo", afirmou o secretário. "O que acontece é, dentro da proporcionalidade (de distribuição) estabelecida pelo Ministério, nós temos de nos adequar."

Segundo Gorinchteyn, a cota de Coronavac que deve ser repassada ao Estado também não prejudicaria o planejamento. "Do ponto de vista porcentual, nós temos valores que possibilitam dar inicio à vacinação no dia 25."/COLABOROU FELIPE RESK

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