Vacinação contra HPV não será suspensa, diz secretário

Meninas passaram mal após a dose; para Jarbas Barbosa, hipótese mais provável para reações é a Síndrome Stress Pós-Vacinal 

Lígia Formenti e Zuleide de Barros, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 19h01

Atualizado às 9h do dia 9/9/2014

BRASÍLIA E SANTOS - O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que nenhuma das adolescentes que relataram ter dificuldades de locomoção depois de receber a segunda dose da vacina contra HPV tem problemas neurológicos. No fim de semana, onze meninas se queixaram de mal-estar depois de serem vacinadas na cidade de Bertioga, na Baixada Santista. Depois de examinadas, foram liberadas, mas três delas retornaram, relatando não sentir as pernas.

“Exames foram realizados hoje (segunda-feira, 8). Não há base física para os sintomas”, afirmou o secretário. A hipótese mais provável, completou, é que as adolescentes tenham apresentado Síndrome Estresse Pós-Vacinal. “Tal estresse pode ocorrer, sobretudo na adolescência, quando há maior instabilidade emocional”, disse.

Diante dos resultados, Barbosa afirmou não haver razão para suspender a campanha imunização contra HPV. “A vacina é usada em 50 países, ela é considerada segura e eficaz”, garantiu. Ele observou que é feita a recomendação para que a vacina seja aplicada na paciente sentada. Tal estratégia é adotada para evitar riscos de desmaios e tremores. “Há relatos dessas reações. Mas são sintomas passageiros.” Ele disse haver também registros de reações alérgicas. “Mas isso pode ocorrer com qualquer vacina.”

Três das 11 adolescentes permaneciam internadas nesta segunda-feira no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. A Secretaria Estadual da Saúde está acompanhando os casos das 11 adolescentes e já descartou qualquer problema com o lote de vacinas utilizado em Bertioga.

De acordo com a responsável pelo setor de imunizações da secretaria, Helena Sato, a vacinação contra o HPV vai continuar em todo o Estado. Ela afirmou que não há nenhuma associação dos sintomas apresentados pelas garotas de Bertioga com a aplicação da vacina, uma vez que o mesmo lote - composto por 320 mil doses - vem sendo aplicado desde o início do mês em estudantes de todo o Estado de São Paulo.

Segundo Helena Sato, desde 1.º de setembro 20 mil meninas já foram imunizadas contra o HPV em todo o Estado e que, apenas em Bertioga, 400 adolescentes receberam a vacina. O objetivo da campanha é prevenir o câncer de colo de útero, quarta maior causa de morte entre mulheres. A primeira etapa aconteceu em março, quando 940 mil garotas foram vacinadas em São Paulo.

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