Vacinação em baixa potencializa novas epidemias
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Vacinação em baixa potencializa novas epidemias

Circulação de vários vírus está crescendo no Brasil, o que acende um sinal de alerta entre os médicos

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 07h30

A queda na taxa de vacinação no Brasil tem levantado um alerta para uma possível volta de doenças que há anos são consideradas controladas. Mas caso o índice de imunização continue caindo, qual deverá ser o cenário nos próximos anos? Segundo especialistas da área da saúde, o movimento acende um alerta importante.

“No caso do sarampo, podemos ter uma epidemia de porte razoável nos Estados brasileiros, dado essa baixa cobertura vacinal. Facilmente, a doença encontra condições suscetíveis. É uma doença benigna, mas que pode apresentar muitos casos de óbitos e encefalites”, afirma José Cássio de Moraes, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e um dos coordenadores do “Inquérito de cobertura vacinal nas capitais e no Distrito Federal em crianças nascidas em 2017 e 2018 residentes na área urbana”, encomendado pelo Ministério da Saúde.

Segundo o especialista, há ainda a possibilidade da recirculação do vírus da febre amarela e, consequentemente, uma epidemia. “Há também a hepatite B, para a qual o Brasil possui uma vacina muito boa. Não é aceitável termos casos de hepatite B em menores de 40 anos. Uma doença que pode causar cirrose e câncer hepático”, enfatiza. 

Completando a lista, Adriana Maria Paixão, infectopediatra da Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca ainda a poliomielite e a meningite como motivos de preocupação. “A poliomielite tem como principal sequela a alteração motora e a limitação de movimentos. A meningite deixa sequelas neurológicas, além de poder causar hidrocefalia e surdez.”

Em um contexto de volta de doenças controladas, outro ponto de atenção seria o preparo dos médicos, especialmente os profissionais mais novos, alerta Moraes, da Santa Casa. “Os residentes praticamente não veem sarampo, nem difteria [no dia a dia], por exemplo. Com isso, podemos retardar o diagnóstico de uma epidemia ou de uma análise importante de casos, por não lembrar que existem essas doenças e que elas podem circular de novo. Muita gente não viu uma série de doenças infecciosas e, às vezes, até mesmo um especialista não consegue visualizar.”

Na tentativa de contribuir para o restabelecimento da cobertura vacinal, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) lançou recentemente o Movimento Vacinação. “As vacinas foram a maior conquista da medicina para a humanidade. Temos como objetivo, ao longo dos próximos meses, conscientizar a população sobre a importância das vacinas em todas as fases da vida”, diz a infectologista e consultora da SBI, Rachel Stucchi.

A doutora em Microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), Natalia Pasternak, lembra que alcançar a imunidade de rebanho é um esforço de todos.  “A vacinação é uma atividade coletiva, na qual você se protege e protege o próximo.”

O País tem como vantagem possuir o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que pode contribuir para facilitar a volta da adesão às campanhas de vacinação. “O Brasil é um dos países com maior oferta de portfólio de vacinas disponíveis na rede pública”, afirma Rachel.

Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, o PNI oferece 18 vacinas para a imunização de crianças e adolescentes com esquemas vacinais diferenciados. Fazem parte do calendário a BCG, tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba), tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba, varicela), hepatite A e B, HPV, entre outras.

O infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, João Prats, evidencia que muitas vezes os responsáveis focam no calendário de vacinação para as crianças e se esquecem que a imunização também precisa de ser complementada na fase adulta. “Observamos muitas vezes uma lacuna na proteção vacinal, especialmente após a adolescência. A DT [contra difteria e tétano] precisa de reforço a cada dez anos, por exemplo, assim como a de coqueluche.”

De acordo com Rachel, grupos como idosos, gestantes e imunossuprimidos também contam com um calendário de vacinação próprio. “A oferta é bem diversificada e atende todos os públicos.”

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