Vacinação não excluirá cuidados
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Vacinação não excluirá cuidados

Precauções para evitar a covid-19 precisarão ser mantidas até que toda a população esteja imunizada

Butantan, Media Lab Estadão
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23 de dezembro de 2020 | 08h00

A chegada de vacinas e de insumos para a sua produção no Instituto Butantan nos últimos dias fez acender a esperança do fim da pandemia para a população brasileira. A perspectiva de vacinação deve ser, de fato, motivo de entusiasmo, pois é um passo importante para o País superar a crise da covid-19. Só que o processo não será tão rápido e “mágico” como muitos supõem e todos gostaríamos.

“Os cuidados a serem seguidos após a vacinação com a Coronavac, ou com qualquer outra vacina que venha a estar disponível, são os mesmos que têm sido preconizados durante a pandemia”, alerta o médico Alexander Precioso, diretor de Farmacovigilância, Segurança Clínica e Gestão de Risco do Instituto Butantan.

Será preciso continuar usando máscara, higienizando frequentemente as mãos e evitando aglomerações. Em primeiro lugar, porque as vacinas serão ministradas em duas doses, e só depois da segunda dose é que o sistema imunológico estará preparado para combater o vírus – e ainda assim há um prazo previsto de um mês para que isso ocorra.

Outro motivo para manter os cuidados é que, como a vacinação de toda a população não se dará num mesmo momento, as pessoas vacinadas poderão transmitir o vírus àquelas que ainda não receberam a vacina. “Para o controle eficaz da pandemia, não é necessário apenas que as pessoas estejam vacinadas, mas também que a circulação do vírus seja reduzida”, observa o médico.

Outro fator preocupante é a resistência à ideia de vacinação que vem sendo identificada em parte da população, impulsionada pela divulgação e o compartilhamento de informações incorretas e sem embasamento científico. Precioso explica que as vacinas podem causar alguns sintomas, mas que, na grande maioria dos casos, são sintomas leves, que não trazem riscos. “Os benefícios da vacinação para a saúde individual e coletiva superam amplamente os raros eventos adversos associados a essa ação promotora de saúde.”

Transferência de tecnologia

A caminho de completar 120 anos de existência, em fevereiro, o Butantan se tornou protagonista no enfrentamento da covid-19 no Brasil. O instituto nasceu para combater um surto de peste bubônica no porto de Santos, e desde então acumulou uma série de serviços prestados aos brasileiros, enfrentando doenças como febre amarela, poliomielite, meningite e H1N1. 

“A maior parte das pessoas talvez nem saiba disso, mas conta com os nossos produtos em diversas situações”, diz a economista Cintia Lucci, responsável pela análise de mercado e viabilidade econômica de projetos no Núcleo de Inovação Tecnológica do Butantan. São 13 soros e nove vacinas sendo fabricados atualmente pela instituição, maior produtora da vacina contra a influenza no Hemisfério Sul.

Além disso, o Butantan produz soros contra venenos de cobra, de escorpião e outras toxinas não animais. “Essa é a natureza do Butantan. Fazer produtos, medicamentos, vacinas e soros de que o País precisa, sempre com o intuito de oferecer tudo isso a preço de custo”, explica a economista.

O processo de aproximação com a farmacêutica chinesa Sinovac para a produção da vacina Coronavac ilustra bem essa cultura. Diversas ações, em várias frentes, foram colocadas em prática ainda antes da chegada da pandemia ao Brasil. Estruturou-se um laboratório de PCR, o exame mais confiável para a identificação da covid-19, enquanto a área de negócios procurou diversos parceiros do instituto para verificar quais deles estavam desenvolvendo vacinas, em que estágio estavam esses projetos e quais tinham plataformas de produção similares à do Butantan.

O Butantan havia estreitado relações com a Sinovac em 2019, quando representantes do instituto brasileiro estiveram na China para uma missão de visitas a laboratórios e fábricas – visitas que foram retribuídas algum tempo depois por uma equipe da Sinovac. “Desde então a gente manteve uma conversa, como mantemos com vários outros laboratórios pelo mundo”, diz Cintia.

Essa construção de relacionamento foi essencial para a parceria em torno da Coronavac. “Para os chineses é muito importante estabelecer uma relação de longo prazo. Eles precisam saber quem a gente é.” Nesse sentido, observa a economista, certamente ajudou muito o fato de o Butantan ter 120 anos e também o de ser, em parte, um instituto público.

“Nossos princípios também foram contemplados nessa parceria. Não queremos simplesmente pegar um produto e passar para o Ministério. A gente quer dominar a tecnologia de produção, e isso está ocorrendo no caso da Coronavac”, descreve Cintia.

Butantan reforça identidade

“O Butantan é um produtor de biofarmacêuticos, e é nessa área que ele tem que se aperfeiçoar. Queremos ser um dos maiores produtores de vacinas do mundo e estamos trabalhando fortemente nesse sentido”, diz o diretor do instituto, Dimas Covas.

Ele conta que, quando assumiu a gestão do Butantan, em 2017, percebeu que o maior desafio seria superar a crise institucional. “Não havia uma identidade claramente definida. O Butantan não sabia se era um instituto de pesquisa, se era uma indústria, se era uma fábrica, se era uma unidade de ensino ou de cultura”, descreve Covas.

Com a clareza que tem hoje sobre o seu papel, o Butantan projeta uma década de muitos avanços. A integração internacional, neste momento simbolizada pelo projeto da CoronaVac, será expandida em várias frentes, como a disponibilização da vacina contra a influenza para o Hemisfério Norte e o alcance global da vacina contra a dengue, viabilizada por uma parceria com o laboratório americano Merck Sharp & Dohme.

“Vamos continuar aumentando o nosso portfólio com a entrada em novas áreas, como a produção de anticorpos monoclonais. Temos uma fábrica pronta para isso e brevemente iremos disponibilizar produtos de alta tecnologia contra o câncer e para a utilização em terapia celular avançada”, anuncia Covas.

O Butantan tem como principal fonte de renda a antiga relação com o Ministério da Saúde, que ressarce aquilo que o instituto produz e entrega à população brasileira. Outros aportes decorrem de licenciamentos de patentes ou de produtos (como no caso da vacina contra a dengue), projetos de pesquisas e eventuais doações.

 

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