Acervo Casa Oswaldo Cruz
Acervo Casa Oswaldo Cruz
Conteúdo Patrocinado

Vacinação polêmica gerou revolta popular

Fake news sempre tumultuaram campanhas de proteção

Caderno Saúde, Media Lab Estadão
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

05 de agosto de 2020 | 11h47

Em tempos de fake news, a discussão sobre a importância da vacinação, mesmo durante uma pandemia, tem ganhado força e dado fôlego ao movimento antivacina. Há quem desconfie da ciência e de agências governamentais. Há quem tema pela segurança da vacina ou quem acredite em teorias conspiratórias e em tratamentos alternativos. 

Mas essa polêmica não é novidade. Em meados de 1904, quando o Brasil enfrentava um surto de varíola, parte da população também rejeitou a vacina.

A ideia de um vírus vivo ser inoculado por meio de um líquido no próprio corpo gerou muita estranheza na população e ainda havia a crença de que quem fosse vacinado ficaria com feições bovinas. Porque o medicamento, na verdade, injetava pústulas de varíola de vaca na corrente sanguínea.

Oswaldo Cruz, então, motivou o governo a determinar a obrigatoriedade da vacinação. Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho e matrículas em escolas, por exemplo.

A nova lei levou o povo às ruas e serviu de catalisador para a Revolta da Vacina. A população se recusava a ver sua casa invadida e ter de tomar uma injeção contra a vontade.

Os jornais lançaram uma campanha contra a medida. O Congresso protestou e foi organizada a Liga Contra a Vacinação Obrigatória. Diante da revolta popular, a Escola Militar da Praia Vermelha se levantou, e o que se viu foi um verdadeiro campo de batalha.

Depois de uma semana, o governo venceu a rebelião, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina. Porém, diante de uma nova epidemia de varíola, em 1908, a população reagiu de forma diferente: por iniciativa própria, procurou os postos de vacinação, ciente da importância da prevenção para a saúde.

Batalhas contra as epidemias

Principais doenças controladas por Oswaldo Cruz 

Varíola: propôs a vacinação obrigatória

Febre amarela: identificou o mosquito como transmissor, criou brigadas sanitárias para eliminar os focos do inseto e isolou os doentes

Peste bubônica: vacinou moradores das áreas mais infectadas, promoveu o isolamento dos doentes e fez tratamento com soro antipestoso

O avanço das vacinas no Brasil

1771 – Primeira inoculação da vacina, na Inglaterra

1804 – Chegada da vacina contra a varíola ao Brasil

1900-1901 – Criação do Instituto Soroterápico do Rio de Janeiro, com direção de Oswaldo Cruz (atual Fiocruz), e Instituto Serumtherápico, com Vital Brazil, em São Paulo (atual Instituto Butantã)

1904 – Revolta da Vacina

1927 – Início da vacinação contra a tuberculose no Brasil (BCG)

1942 – Eliminação da febre amarela urbana no Brasil

1966 – Campanha de erradicação da varíola

1973 – Criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI)

1975 – Campanha contra a meningite meningocócica

1976 – Criação do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos, da Fiocruz)

1977 – Primeiro calendário básico de vacinação

1980 – Campanha de vacinação contra a poliomielite

1989 – Último caso de pólio no Brasil, em Souza (PB)

1992 – Plano de Eliminação do Tétano Neonatal e do sarampo

1993 – “Operação Gota”, em áreas de difícil acesso e para populações indígenas

1995 – Substituição da vacina monovalente contra o sarampo pela tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

1997 – Implantação da vacina contra a rubéola para mulheres em idade fértil

1998 – Substituição da vacina isolada contra tétano (toxoide tetânico) pela vacina dupla bacteriana, tipo adulto (dT)

1999 – Campanha nacional de vacinação contra a gripe (a partir dos 65 anos)

1999 – Incorporação da vacina contra febre amarela ao calendário e introdução da vacina contra o Haemophilus influenzae b (Hib)

2002 – Introdução da vacina tetravalente no calendário (difteria, tétano, coqueluche e Hib), aos dois, quatro e seis meses de vida

2004 – Instituição dos Calendários da Criança, do Adolescente e do Adulto e Idoso

2006 – Introdução da vacina contra rotavírus

2006 – Eliminação do tétano neonatal como problema de saúde pública no Brasil

2008 – Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola

2010 – Instituição do Calendário de Vacinação para os Povos Indígenas

2011 – Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza

2012 – Introdução da vacina pentavalente (DTP, Hib e hepatite B) e da VIP (pólio com vírus inativo) no calendário infantil

2013 – Inclusão da varicela (catapora) na vacina tetraviral (tríplice viral + varicela)

2014 – Introdução das vacinas contra hepatite A (crianças), contra o HPV (meninas de 9 a 13 anos) e dTpa (gestantes)

2018 – Vacina contra HPV ampliada (meninos de 11 a 15 anos)

Fonte: Radis/Fiocruz



 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.