Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters
Imagem Gonzalo Vecina
Colunista
Gonzalo Vecina
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Vacinas contra covid apresentam resultados de eficácia. Desastre ou luz no fim do túnel?

AstraZeneca comunicou que seu imunizante com a universidade inglesa e para a qual existe um acordo de produção com a Fiocruz no Brasil tem eficácia que pode chegar a 90%

Gonzalo Vecina, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 05h00

A AstraZeneca comunicou que sua vacina desenvolvida com a Universidade de Oxford e para a qual existe um acordo de produção com a Fiocruz no Brasil tem uma eficácia que pode chegar a 90%. E ainda anunciou que fruto de um certo acaso comprovou-se que a primeira dose da vacina deve ser de meia dose. E a noticia é boa porque reduz o número de doses necessárias para cobrir a população brasileira. Todas as vacinas que estão no final dos testes de fase três necessitam de duas doses, exceto a da Janssen que até agora tem divulgado necessitar de uma dose apenas.

Mas tudo está sujeito a mudanças bruscas. Todos os documentos preparados sobre os testes têm que ser entregues às autoridades regulatórias dos países que irão receber os primeiros lotes das vacinas e então serem analisados, aprovados e aí começa a parte final do calvário – quem receberá as primeiras e insuficientes doses. E dependendo da vacina, a que preço. A inglesa aparentemente já tem o preço negociado no Brasil até junho de 2021 – será de três dólares a dose ou quatro e meio por pessoa imunizada. Isso significa que o Brasil necessitará de 945 milhões de dólares para comprar 315 milhões de doses de vacinas. 

Aqui começam as más notícias. A produção da Fiocruz, será em um primeiro momento somente o envase (e talvez a seguir produção local – não está claro), deverá começar no segundo semestre com capacidade por lote de cerca de 100 milhões. As promessas de entrega no começo do ano que vem entre as já embaladas e as a envasar no país deverão ser algo em torno de 60 a 80 milhões de doses. Com sorte se produzirá mais 100 milhões ao longo do segundo semestre. Será metade do necessário.

Outras vacinas chegarão. As mais promissoras como as da Pfizer/BioNtech e da Moderna, apesar das conversas, muito dificilmente irão entregar muitas doses no Brasil pelo que se sabe de seus milionários contratos de entrega e pela capacidade de suas fábricas . Pesa também o fato de que as duas necessitam de redes de frio sofisticadas para sua conservação. E o preço nem entrou nas discussões ainda. 

A vacina da Gamaleya – russa – ainda é uma incógnita. Tem acordo de produção de fábricas que não fabricam no Paraná e na Bahia e de um produtor nacional sem tradição na área. Apesar da muita publicidade, não tem publicações de fase três e embora use uma tecnologia avançada e seja um laboratório de pesquisa respeitado, não tem, por enquanto, uma indústria respeitada por trás. Ou seja, são muitas promessas a serem convertidas em um espaço de tempo pequeno.

Dessas candidatas falta falar apenas da que está promovendo uma revolução na estrutura de poder do Ministério da Saúde e em São Paulo – a chinesa! A vacina da Sinovac está terminando a fase três. Seus resultados ainda não foram divulgados, mas baseado nos resultados de fases 1 e 2 podemos dizer que são promissores, mas não tão impressionantes como os até agora divulgados pelas concorrentes. Os estudos indicam que a Coronavac pode produzir uma redução do numero de casos e promover a tão esperada imunidade coletiva sem significar um elevado numero de mortes. 

Até onde se divulgaram informações sobre ela, seu preço fica entre 3 e 5 dólares e poderá ter sua tecnologia transferida para o Instituto Butantã que já utiliza este mesmo método para produzir vacinas hoje. A tecnologia do vírus inativado que é responsável por boas e muito seguras vacinas como a da pólio. Ela também tem o problema do volume de doses. Mas se olhada ao lado da inglesa e com um bom plano nacional de distribuição/aplicação poderá ajudar o país a ultrapassar essa crise com mais rapidez e talvez de maneira que nenhum outro país deste tamanho consiga. Só falta governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.