AFP
AFP

Vacinas contra o Ebola têm 'perfil de segurança aceitável', diz OMS

Testes clínicos deverão começar no fim de janeiro e imunização poderá começar a ser feita no segundo semestre de 2015

Fábio de Castro, O Estado de S. paulo

09 Janeiro 2015 | 19h04

As duas vacinas contra o Ebola que estão em estágio mais avançado de desenvolvimento têm "um perfil de segurança aceitável", anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira, 7, depois de um encontro com especialistas. "O armário (para vacinas contra o Ebola) está ficando cheio rapidamente", disse Marie-Paule Kieny, que dirige os esforços da OMS pela imunização contra o vírus. Ela acrescentou que várias outras vacinas estão sendo desenvolvidas nos Estados Unidos, Rússia e outros países. 

De acordo com Kieny, já existe informação suficiente para concluir que a segurança das duas vacinas - uma feita pela GlaxoSmithKline e outra licenciada pela Merck e New Link - é suficiente para levar adiante a próxima fase dos testes clínicos. Segundo ela, os testes começarão no fim de janeiro, na Libéria, e continuarão em fevereiro na Guiné e em Serra Leoa. Depois dos testes em pessoas saudáveis, será preciso esperar entre duas e quatro semanas para obter os dados sobre a imunização.

Apesar da suspensão temporária de um teste clínico da vacina feita pela NewLink e Merck em dezembro, Kieny disse que não houve sinais de efeitos colaterais significativos. Esses testes clínicos foram interrompidos enquanto os especialistas investigavam relatos de dores nas articulações em alguns participantes. Embora esse efeito colateral não fosse esperado, de acordo com Kieny, ele não era preocupante o suficiente para levar à suspensão definitiva do desenvolvimento da vacina. Nenhum efeito colateral semelhante foi relatado com a outra vacina.

A próxima fase de testes provavelmente levará seis meses e os fabricantes deverão incrementar a produção das vacinas ao mesmo tempo. Assim, milhões de doses poderão estar à disposição no segundo semestre. Não se sabe se esse prazo será suficiente para ajudar a frear a epidemia, que já parece estar em declínio. Até agora, estima-se que o Ebola tenha infectado mais de 20 mil pessoas e matado cerca de 8 mil, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Autoridades acreditam que a taxa de mortalidade seja de cerca de 71%.

"Precisaremos fazer um balanço quando tivermos as vacinas", disse Helen Rees, da Universidade Witwatersrand, que coordenou o encontro da OMS. Segundo ela, especialistas terão que avaliar se será útil vacinar populações inteiras, ou  se será melhor focar apenas em grupos de alto risco.

Um dos descobridores do vírus Ebola, Peter Piot, afirmou que está preocupado porque poderia haver muito poucos casos para provar que as vacinas são funcionais. Ainda assim, ele declarou que toda opção possível deve ser perseguida para deter o maior surto de Ebola da história. "Com o Ebola, é preciso encontrar cada caso e deter a transmissão. Talvez não consigamos fazer isso sem uma vacina", disse Piot. 

Mais conteúdo sobre:
Ebola

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.