Steve Parsons/Pool Photo via AP
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Estudo aponta proteção acima de 60% em idosos após 1ª dose da vacina de Oxford no Reino Unido

Estudo mostrou efeitos positivos dos imunizantes da Pfizer e da AstraZeneca. Dose da Pfizer levou à redução de 83% nas mortes na faixa etária mais velha

Alistair Smout, Reuters

01 de março de 2021 | 22h49

LONDRES - As vacinas da Pfizer e da AstraZeneca têm mais de 80% de eficácia para prevenir hospitalizações pela covid-19 nos pacientes com mais de 80 anos após uma dose de qualquer uma delas, afirmou a Agência de Saúde Pública da Inglaterra (PHE, na sigla em inglês) nesta segunda-feira, 1, citando um estudo ainda não publicado. 

A PHE disse que o estudo no mundo real também concluiu que a proteção contra a covid sintomática nos pacientes com mais de 70 anos estava entre 57 e 61% para apenas uma dose da vacina da Pfizer-BioNTech e entre 60 e 73% para a da Oxford-AstraZeneca quatro semanas após a primeira dose. 

"Esses resultados podem ajudar a explicar o motivo do número de internações por covid em unidades de tratamento intensivo para pessoas com mais de 80 anos no Reino Unido caiu para números de um só dígito nas últimas duas semanas", disse o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock, em uma entrevista coletiva. "Isso é realmente animador." 

O Reino Unido já aplicou a primeira dose de vacinas contra a covid-19 em mais de 20 milhões de pessoas, ou pouco mais de 30% da população, com os mais velhos como prioridade. 

A PHE submeteu sua análise a pares após oferecer as conclusões iniciais do estudo sobre o impacto da vacinação no mundo real há uma semana. Um estudo separado com profissionais de saúde já mostrou que uma dose da vacina pode reduzir em 70% o número de pessoas com covid-19 assintomática.

A agência de saúde afirmou que as evidências sugeriram que a vacina da Pfizer causa uma redução de 83% no número de mortes pela covid-19 em pessoas com mais de 80 anos de idade. Não há dados equivalentes para a vacina da AstraZeneca, que começaram a ser administradas em uma data posterior.

Mary Ramsay, diretora de Imunizações da PHE, disse que, embora haja mais trabalho a ser feito para se entender o impacto das vacinas na redução da transmissão do coronavírus, o efeito da campanha já é visível. “Isso se soma a crescentes evidências que mostram que as vacinas funcionam para reduzir infecções e salvar vidas”, disse. 

Outra autoridade da PHE disse que mais análise é necessária para estabelecer a eficácia das vacinas contra a chamada variante brasileira do coronavírus. 

O uso da vacina da AstraZeneca no Reino Unido contrasta com a decisão tomada por outros países europeus, que citaram ausência de dados dos testes clínicos na decisão de evitar a aplicação das doses nos mais velhos. 

Perguntado se os dados justificavam a decisão britância, Jonathan Van Tam, diretor médico adjunto do governo, disse que não era “imunologicamente plausível” que a vacina funcionaria nos mais jovens e não nos mais velhos. “Consideramos que quase certamente funcionaria", disse. "Os dados da PHE justificaram claramente essa abordagem hoje."

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