Divulgação/Governo do Estado de SP
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Vale do Ribeira terá de voltar a fechar comércio; internações por covid-19 crescem na Grande SP

Região voltou à fase 'vermelha' do Plano SP por causa do aumento da taxa de ocupação das UTIs

Bruno Ribeiro e Marina Aragão, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2020 | 14h40

SÃO PAULO - A região do Vale do Ribeira voltou à classificação “vermelha” do Plano São Paulo, programa de reabertura econômica do Estado em meio à pandemia do coronavírus, e terá de fechar seu comércio não essencial por ao menos mais duas semanas. Além disso, nos últimos sete dias a média móvel das internações cresceu 15% na região sudeste da Grande São Paulo (o ABC), de 1.040 para 1.188, e 14% na região sudoeste (que inclui cidades como Cotia e Itapecerica da Serra), uma variação de 215 para 249 registros. É uma tendência diferente ao do Estado como um todo, onde internações tiveram registro de queda de 1%. 

A informação foi dada pelo governo paulista ontem, quando a média móvel (soma do total de registros dos últimos sete dias, dividido por sete) subiu 38% na comparação com os dados da sexta-feira anterior (24), passando de 7.971 para 10.999 registros. 

Para os técnicos da Secretaria Estadual da Saúde, o dado está relacionado ao aumento do número de testes feitos para a detecção da covid-19. Segundo o epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, entre os dias 10 e 16 de julho foram feitos 33 mil testes do Estado. Entre os dias 17 e 23, foram feitos 42 mil exames, aumento de 27%. 

“A testagem é a ferramenta adequada que temos para sair do platô no momento, porque é pela testagem que vamos identificar indivíduos que estão transmitindo o vírus. Então, não devemos nos preocupar muito com o simples aumento de número de novos casos”, disse o secretário executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo. 

Para efeitos de combate à pandemia, segundo Gabbardo, a preocupação deve ser com o número de casos associados a outros indicadores. “Nas regiões onde o aumento de casos ocorre, mesmo que tenhamos aumentado a testagem, acompanhado de outros indicadores que mostram uma demanda maior de pacientes doentes, isso preocupa”, disse Gabbardo.

No caso do Vale do Ribeira, o retorno à fase vermelha foi associado ao crescimento da taxa de ocupação hospitalar nas cidades de Cajati, Registro e Pariquera-Açu. “Esses três municípios foram mais afetados”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

“O Vale do Ribeira tem uma população muito menor do que as outras regiões. Então, apesar de números absolutos poderem ser pequenos, variações podem ser muito grandes e isso acaba refletindo na mudança significativa nos indicadores. É possível que, nas próximas semanas, a gente tenha uma mudança importante e positiva nesta região”, disse o coordenador do Centro de Contingência. 

Grande São Paulo

Segundo Menezes, não há relação entre o crescimento no sudoeste da Grande São Paulo e a situação na região vizinha, o Vale do Ribeira. “Nossa avaliação é de que uma situação não tem nenhuma relação com a outra”, disse.

Nos últimos sete dias, a média móvel das internações cresceu 15% na região sudeste da Grande São Paulo (o ABC) e 14% na região sudoeste. “Acho importante lembrar que, se houve aumento na média móvel, na semana anterior houve redução. E a gente, inclusive, teve uma frente fria que chegou e pode por exemplo causar mais infecções respiratórias e as pessoas podem se internar mais”, disse Paulo Menezes.

O Estadão procurou prefeituras de alguma das cidades para comentar os dados. São Bernardo do Campo, maior cidade do ABC, informou por nota que vê “estabilidade” nas internações no município e “faz o monitoramento constante da ocupação de leitos para tomada de decisões” ligadas à pandemia. Santo André disse que, até o momento, a média de internações na rede municipal continua estável. “Salientamos que um grande trabalho vem sendo realizado na cidade com foco em medidas de prevenção e segurança da população. Sob gestão do município, contamos ainda com três hospitais campanha, além do Centro Hospitalar Municipal e do Hospital da Mulher, que continuam sendo monitorados diariamente.” Procurada, a prefeitura de Cotia não respondeu até as 21 horas. 

“Vamos observar essa evolução ao longo desta a próxima semana, e se não houver a redução comparando os sete dias com os sete dias anteriores, essa regiões podem regredir de fase. No momento, não”, disse o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, citando as duas regiões, mas destacando também as áreas de Araraquara e da Baixada Santista.

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