Prefeitura de Valinhos
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Valinhos pede cilindros de oxigênio de clínicas veterinárias para atender pacientes

Cidade está com 100% de ocupação em leitos de UTI e tem pacientes internados em UPA. Secretária disse que empréstimo foi motivado por decisão emocional e que os cilindros não chegaram a ser usados. 'Era um plano B'

Andréia Marques, Especial para o Estadão

10 de março de 2021 | 10h00

A prefeitura de Valinhos, no interior de São Paulo, pegou emprestados cilindros de oxigênio de clínicas veterinárias para uso em unidades de saúde locais diante do aumento recente no consumo provocado pela covid-19. A cidade está com 100% de ocupação em leitos de UTI e de enfermaria na Santa Casa e no Hospital Galileo. Catorze pacientes estão internados em uma UPA, local que a prefeitura reconhece não ser o adequado. 

A informação sobre o empréstimo de cinco cilindros de clínicas veterinárias foi dada pela secretária de Saúde da cidade, Carina Missaglia, em reunião no domingo, 7, que teve o áudio vazado em redes sociais. Nesta terça-feira, 9, ela avaliou a fala como emocional e disse não ter usado os cilindros. "Não foi uma fala técnica, foi uma questão emocional diante da situação que estamos enfrentando. Era um plano B, nem chegamos a usar", disse a secretária. O caso repercutiu na cidade.

"Foi uma medida de emergência. No domingo foram entubados três pacientes e o consumo foi muito grande, o oxigênio não ia ser suficiente. Pedimos emprestado para as clínicas mas não chegamos a usar", reforçou Carina. 

Em um trecho do áudio, ela fala do empréstimo: "Conversei com amigos veterinários que emprestaram cilindros de oxigênio de clínica veterinária, que amanhã teria cirurgia. Nós estamos lá com cinco cilindros de oxigênio de clínica veterinária. Neste momento, a gente precisa de cilindros pra por oxigênio", afirmou durante a reunião.

Durante a fala, a secretária também falou do aumento no atendimento de pacientes com covid-19. "Nós usamos 24 'torpedos' por semana, hoje estamos usando no mínimo 40 por dia. Quando a gente intuba paciente na UPA, lá não é lugar pra estar entubado e ele consome muito oxigênio, e aí nosso coração começa a disparar, a lágrima escorre porque a gente não sabe a hora que vai acabar esse oxigênio ", completou.

Nesta terça-feira, 9, a prefeitura disse em nota que começou a instalar um tanque fixo de oxigênio na UPA para aumentar a capacidade de oferta de oxigênio aos pacientes com covid-19, que recebem o atendimento nos leitos da unidade.  

A capacidade do tanque que será instalado é de 4.950 m³ de oxigênio líquido, o que representa, comparado ao consumo médio diário da unidade, um aumento na oferta de aproximadamente 1500% de oxigênio diário. A UPA tem registrado consumo diário, em média, de 32 cilindros de 10m³ cada, totalizando 320 m³ de consumo diário de oxigênio.

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