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Dida Sampaio/Estadão
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Novo ministro da Saúde defende distanciamento e melhorias em hospitais para combater coronavírus

Marcelo Queiroga evita falar termos como restrição e lockdown - medidas apontadas por cientistas como a solução para o colapso na saúde, mas que não contam com o aval do presidente Jair Bolsonaro

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 12h30

RIO - O futuro ministro da Saúde, o médico cardiologista Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira, 17, que terá duas estratégias para conter a pandemia de covid-19: o distanciamento social e a melhora no atendimento hospitalar dos pacientes. “Esses óbitos nos conseguiremos reduzir com dois pontos principais”, afirmou Queiroga. “Com políticas de distanciamento social que permitam diminuir a circulação do vírus, e com a melhora na capacidade assistencial de nossos serviços hospitalares.”

Em entrevista ao lado do ainda ministro Eduardo Pazuello, na Fiocruz, onde receberam as primeiras doses da vacina fabricadas em Bio-Manguinhos, Queiroga evitou falar termos como restrição e lockdown - medidas apontadas por cientistas como a solução para o colapso na saúde, mas que não contam com o aval do presidente Jair Bolsonaro - e citou ainda o bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

A médio prazo, a aposta do novo ministro é a vacinação em massa. “O Brasil tem grande capacidade de vacinar”, lembrou Queiroga. “Vamos criar as condições operacionais para que a vacina chegue à população brasileira e contenha o caráter pandêmico da doença.”

O cardiologista voltou a repetir, no entanto, que a diretriz política do ministério da Saúde é dada pela Presidência da República. “A política pública do governo, não só do Ministério da Saúde, é a política do governo federal, do presidente da República eleito pelos brasileiros.”

Pazuello 

Menos de 24 horas depois de o País registrar o número recorde de 2.798 mortos pela covid-19 em apenas um dia, Pazuello responsabilizou as novas variantes do Sars-Cov-2 pelo descontrole da epidemia no País. Segundo ele, cepas mais contagiosas estariam causando o aumento da mortalidade por covid.

“O coronavírus veio para ficar, vamos controlar a pandemia com vacinação e novos hábitos”, afirmou Pazuello, em pronunciamento. “Nós mudaremos hábitos, vamos usar máscara, lavar as mãos, manter um grau de afastamento social. É necessário compreender isso. (O combate à pandemia) começa na conscientização de cada um, não na imposição do gestor. Cada brasileiro deve se conscientizar de seu papel.”

Para o ministro, tais medidas preventivas devem ser suficientes para “evitar um grande número de mortos e continuar a vida na maior normalidade possível”. “Vamos trabalhar, estudar, ensinar, treinar tropas, produzir, viver normalmente com cuidados preventivos. Essa é a nossa missão”, afirmou.

Pazuello voltou a afirmar que a sua saída do ministério não marcará uma mudança na política de enfrentamento da pandemia: “A transição de cargo de ministro é apenas uma continuidade do trabalho. O doutor Marcelo Queiroga reza pela mesma cartilha”, disse Pazuello.

O ministro lamentou o atraso na entrega de insumos vindos da China, necessários para a fabricação da vacina, que seria responsável pelo atraso ainda maior da vacinação no País. “Nós tivemos um atraso na entrega do insumo farmacológico que vem da China”, afirmou. “São 45 dias de atraso e isso nos fez sangrar. Nos fez sangrar.”

Eduardo Pazuello garantiu que até julho metade da população brasileira já estará vacinada. Até o final do ano, disse, toda a população estará imunizada. “Nós vamos controlar essa pandemia ainda no segundo semestre, essa é a nossa missão.”

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