Mary Altaffer/AP
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Varíola dos macacos: Brasil receberá antiviral para tratar a doença, diz Queiroga

Anúncio foi feito nesta segunda-feira, 1º, pelo ministro da Saúde; em um primeiro momento, as primeiras remessas do medicamento tecovirimat serão usadas para casos mais graves

Renata Okumura e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2022 | 08h28
Atualizado 04 de agosto de 2022 | 11h58

SÃO PAULO – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta segunda-feira, 1º, que o Brasil receberá o antiviral tecovirimat para tratar pacientes com a varíola dos macacos (monkeypox). Em um primeiro momento, o medicamento será destinado aos casos mais graves da doença.

"O antiviral tecovirimat irá reforçar o enfrentamento ao surto de monkeypox no Brasil", publicou ele. Em postagem nas redes sociais, Queiroga disse que a compra será realizada por intermédio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O ministro, no entanto, não deu datas sobre quando devem chegar as primeiras remessas ao País.

“Quando tivermos os quantitativos e a data da chegada (dos medicamentos) nós vamos anunciar”, disse o ministro durante evento realizado nesta segunda-feira. “Nós vamos conseguir uma quantidade inicial e, posteriormente, o Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) vai buscar medicamentos para atender aquelas situações mais graves.”

Segundo a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento antiviral tecovirimat não possui registro ou pedido de avaliação para sua autorização pela agência reguladora.

"Em se tratando de situações específicas e emergenciais, a regulamentação sanitária prevê, para o enfrentamento da doença, mecanismo de importação que permitem a entrada no País de produtos sem registro no Brasil, mas com a aprovação no País de origem. Neste caso, a Anvisa deverá avaliar os requisitos necessários para importação bem como as orientações para as ações de monitoramento de eventos adversos a partir de seu uso na população", disse, em nota.

Na sexta-feira, 29, o ministério confirmou a primeira morte por varíola dos macacos registrada no Brasil. Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 41 anos, com "imunidade baixa" e "comorbidades, incluindo câncer (linfoma)", que levaram ao agravamento do quadro, de acordo com a pasta.

Em São Paulo, a Prefeitura de São Paulo confirmou o registro até o momento de três casos de varíola dos macacos em crianças no município. São as primeiras notificações no público infantil. Conforme informou a Secretaria Municipal da Saúde, todas estão em monitoramento, sem sinais de agravamento. 

Especialistas reforçam a importância de serem redobrados os cuidados com imunossuprimidos, crianças, grávidas e idosos. A transmissão do vírus coloca em risco esses grupos considerados mais vulneráveis. Desta forma, medidas preventivas e de conscientização devem ser reforçadas para reduzir a proliferação da doença.

No dia 23 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que a doença é uma emergência de saúde pública, de caráter global. A entidade levou em consideração o cenário "extraordinário" da doença, que já chegou a mais de 70 países. 

Especialistas e autoridades sanitárias do País e dos Estados têm orientado às pessoas sobre como se prevenir, se proteger do monkeypox e evitar o contato com um vírus para o qual ainda não há uma vacina disponível no Brasil.

'Há carência de vacina no mundo inteiro', diz Queiroga

O ministro da Saúde disse nesta segunda que a Secretaria de Vigilância em Saúde está lidando de "maneira detalhada" com a monkeypox. Ao mesmo tempo, reconheceu que há um cenário de lentidão para aquisição de imunizantes. “Hoje pela manhã mesmo discutimos a questão da vacina. Há carência de vacina no mundo inteiro. Os Estados Unidos conseguiram 800 mil doses. Os Estados Unidos é o país mais rico do mundo”, disse Queiroga.

“A Europa conseguiu 100 mil. Aqui, para a região da América Latina, 100 mil. E essas vacinas serão adquiridas via o mecanismo rotatório da Organização Pan-americana de Saúde (Opas)”, acrescentou. Cronograma inicial apresentado na última sexta-feira, 29, pelo ministério prevê a entrega de 50 mil doses da vacina contra a varíola ao Brasil, a serem distribuídas em dois lotes de 21 e 29 mil, em setembro e novembro.

Primeiro caso europeu foi confirmado no dia 7 de maio

primeiro caso europeu foi confirmado em 7 de maio em um indivíduo que retornou à Inglaterra da Nigéria, onde a varíola dos macacos é endêmica. Desde então, países da Europa e da Ásia, assim como Estados Unidos, Canadá e Brasil, confirmaram casos. 

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