Varíola é a única doença erradicada no mundo
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Varíola é a única doença erradicada no mundo

No caso da poliomielite e do sarampo, existe risco de aumento dos casos em todo o Brasil

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2021 | 07h30

Varíola, poliomielite, meningite, sarampo e rubéola. Essas doenças têm em comum o fato de parecerem que ficaram em um passado distante. De fato, algumas delas nunca circularam entre os jovens da geração Z. A varíola, por exemplo, nem entre os Millennials.

“A única doença que podemos considerar erradicada globalmente é a varíola, pois ela não circula mais em nenhum país”, afirma Natalia Pasternak, doutora em Microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a erradicação da varíola do planeta em 1980.

Segundo Natalia, as demais doenças podem ser consideradas controladas, quando elas não circulam mais em boa parte do mundo, porém o vírus ainda é encontrado em algumas localidades, como é o caso da poliomielite e do sarampo.

No Brasil, o último caso notificado de poliomielite foi em 1989. “A vacina é o único caminho para prevenção dessas doenças”, afirma Adriana Maria Paixão, infectopediatra da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Como consequência, em 1994, o Brasil conquistou o certificado da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminação da poliomielite. “Se um país consegue controlar uma doença, há uma vacina por trás dela e, também, uma campanha de vacinação eficaz”, salienta Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio-Libanês.

Além da poliomielite, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui atualmente certificado de eliminação das seguintes doenças: rubéola, síndrome da rubéola congênita e tétano neonatal.

Nos últimos cinco anos, entretanto, o Brasil tem registrado uma queda geral na taxa de vacinação, fato que chama atenção porque ele ocorre após o País conquistar excelência no índice de aplicação da maior parte dos imunizantes. A vacina que protege contra a tuberculose, a BCG, é um dos principais exemplos dessa nova realidade. Em 2015, havia uma cobertura nacional de 100%, cinco anos depois a taxa está em 73%. “A vacina é vítima do seu próprio sucesso. Com o alcance delas e eficácia, parte das pessoas não reconhece mais as doenças como problema”, afirma André Ribas, médico epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Há outros fatores que podem ser responsáveis pela diminuição dos índices de vacina, segundo Ribas, como a falta de campanhas expressivas e a logística de atendimento das unidades de saúde, que varia bastante a depender da região.

“No Brasil, não podemos atribuir a queda nos números aos grupos antivacina, como vemos na Europa e nos Estados Unidos. No País, observamos durante a pandemia a intenção de mais de 90% da população de se vacinar”, completa Natalia.

Outro imunizante importante no calendário brasileiro é o da tríplice viral, responsável pela prevenção contra sarampo, caxumba e rubéola, que passou de um índice de cobertura de 96%, em 2015, para 79%, segundo dados do Ministério da Saúde. “O Brasil havia recebido o certificado de eliminação do sarampo da OMS, em 2016, mas perdeu em 2019, com o surto que foi registrado no ano anterior”, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Para Stefan Cunha Ujvari, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o dado é bastante preocupante. “O sarampo é uma doença muito transmissível. Uma pessoa infectada pode passar o vírus para outras 18.” Segundo o médico, o recomendado para garantir o controle do sarampo seria de um índice de vacinação acima de 95%.

Segundo Hélio Bacha, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, o sarampo, no início dos anos 1980, foi o maior causador da mortalidade infantil em São Paulo. “Por meio da campanha de vacinação foi possível fazer um avanço muito grande, chegando ao controle do vírus.”

De acordo com o especialista, com a queda da vacinação, a possibilidade de volta de algumas doenças pode ser imediata. “Tudo dependerá do tamanho da abstenção de cobertura. Quanto mais baixa, mais chances.”

“O Brasil sempre esteve entre os três países com maior cobertura vacinal no mundo, mas nos últimos cinco anos houve uma queda. Uma das razões é a falsa percepção das pessoas de que talvez as doenças não sejam tão graves, não se imagina alguém morrendo de caxumba hoje em dia, o que acontece justamente por conta da imunização”, afirma Alexandre Schwarzbold, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

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