Veja o que fazer para reduzir os riscos de crianças terem bronquiolite e pneumonia

No Fórum Estadão Think, especialistas apontam que a amamentação, por exemplo, é um reforço imunológico importante para as crianças

Renata Okumura - O Estado de S.Paulo

Consideradas as épocas mais propícias para a proliferação do vírus sincicial respiratório (VSR), por serem as estações mais frias e secas, no outono e no inverno é mais comum observar o aumento de crianças internadas com bronquiolite e pneumonia. Desta forma, medidas preventivas e o diagnóstico precoce são ferramentas para evitar o agravamento do quadro clínico.

Pertencente ao gênero Pneumovirus, o VSR é um dos principais agentes da infecção aguda nas vias respiratórias. O vírus atinge brônquios e pulmões. Não há vacinação contra o VSR. Somente no caso das crianças prematuras nascidas com até 28 semanas de gestação ou com fator de risco como bebês com displasia broncopulmonar e cardiopatias congênitas, um programa do Ministério da Saúde oferta o palivizumabe, anticorpo específico contra o vírus sincicial, aplicado uma vez por mês durante cinco meses, antes do período de maior circulação do vírus, para evitar formas graves da doença.

Como a doença age no corpo

Em crianças com até dois anos de idade, o vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 20% das ocorrências de pneumonia

A amamentação, por exemplo, é um reforço imunológico importante. Ou seja, o desmame precoce deixa a criança mais frágil. Além disso, em caso de pessoas fumantes, é importante evitar que a criança seja exposta à fumaça.

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“Viroses respiratórias têm sintomas comuns como tosse, febre, dor de garganta e coriza. No VSR, o que chama atenção é a idade do bebê – geralmente atinge com mais frequência crianças de até 2 anos de idade – e a dificuldade para respirar, sintomas associados à época do ano com predomínio da circulação do vírus. Claro que também existem testes para saber qual vírus acomete a criança naquele momento. Febre persistente e criança que não reage aos estímulos são sinais de alarme. Isso vale para todas as doenças. Crianças pequenas com quadros respiratórios precisam ser avaliadas pelos médicos”, orienta Renato Kfouri, pediatra, infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante participação na quarta-feira, 18, no Fórum Estadão Think “A bronquiolite e a pneumonia podem atacar até dentro de casa – evite que seu guerreiro tenha que lutar contra o VSR”, patrocinado pela AstraZeneca.

No caso da bronquiolite, as crianças podem transmitir o VSR por mais de uma semana. Mesmo após apresentar melhora, é importante ter atenção. Marco Aurélio Safadi, professor de pediatria e infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), salienta que em crianças menores o risco é maior de agravamento. “Uma criança com desconforto respiratório nesta faixa etária e que perde a capacidade de mamar tem fatores levados em consideração na avaliação do quadro clínico. Muitos casos necessitam de internação para oferecer assistência respiratória para o bebê”, destaca Safadi. “A hidratação é essencial neste caso. E vale reforçar a amamentação no caso do bebê que mama e até aumentar a oferta de fórmula no caso de bebês que não mamam no peito”, diz o professor de pediatria.

Fórum Estadão Think debate a prevenção a bronquiolite e pneumonia com Rita Lisauskas, Renato Kfouri, Rosana Richtmann e Marco Aurelio Safadi Foto: Alex Silva/Estadão

Segundo Rosana Richtmann, médica infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, Pro Matre Paulista e Instituto de Infectologia Emílio Ribas, os bebês prematuros estão entre os grupos de alto risco. “Os brônquios mais finos ficam inchados e o vírus causa secreção, obstruindo as vias respiratórias e a criança fica mais cansada”, diz.

Safadi acrescenta que outros grupos também são mais vulneráveis. "Crianças que têm cardiopatia, portadoras de doenças crônicas respiratórias, as que nasceram com encefalopatia e as imunodeprimidas são outros grupos que tentamos monitorar para evitar maiores riscos. No entanto, vale lembrar que em mais de 80% dos casos as hospitalizações e as mortes atingem crianças saudáveis de baixa e média renda, principalmente pelo fato de não terem acesso oportuno ao tratamento adequado", pontua o especialista.

De acordo com Kfouri, crianças maiores também podem ser acometidas, no entanto, o quadro é mais leve. "Crianças maiores e adultos quando adquirem o VSR apresentam quadros mais leves, pois tiveram exposições prévias à doença, diferente dos bebês até dois anos. Geralmente, os quadros voltam a ficar mais graves quando a pessoa se torna idosa pela imunidade do sistema imunológico", reforça o especialista.

Pais e mães que enfrentaram a doença

Em 2017, quando estava com 40 dias, o filho mais velho da apresentadora e empreendedora Rafa Brites começou a mamar e respirar com dificuldade. "O Rocco tinha pouco mais de mês quando começou a engasgar enquanto mamava. Ele sempre mamou bem. Comecei a ver que respirava com dificuldade, aparecendo até as costelas, na madrugada que teste para VSR deu positivo e foi internado na UTI neonatal", disse a mãe também do Leon de apenas três meses. Por dez dias, permaneceu internado sem receber medicamentos, pela idade, fazendo apenas fisioterapia respitória para melhorar o quadro clínico.

Mãe de três filhos, a jornalista Nanna Pretto do Blog Dica de Mãe, afirma que todos já tiveram bronquiolite. Gabriel, hoje com 14 anos, foi diagnóstico com VSR quando tinha 1 ano e 9 meses. "Em uma manhã, acordou mais gripado, respirando com mais dificuldade, observei que tinha algo estranho. Fomos ao hospital. A saturação estava baixa, em 87, e precisou ser internado por causa de bronquiolite. Ficou internado por quatro dias para se recuperar", relata Nanna, que também é mãe do Rafael, de 8 anos, que teve a primeira crise com dois meses. "Foi diagnosticado com bronquiolite. Foram sete diagnósticos no primeiro ano de vida. Não precisou ser internado", conta.

A Luísa, de um ano e cinco meses, teve a primeira crise aos dois meses. "A saturação caiu e ficou amuada e negando a alimentação. Precisou fazer raio x. Não precisou ser internada. Há um mês, teve uma nova crise. Foi diagnosticada com bronquiolite. E está sob tratamento em casa", relata Nanna.

Como forma de prevenção às doenças respiratórias, a atriz e jornalista Sabrina Petraglia procura manter medidas preventivas de higiene e controlar a vacinação de todos os familiares desde que teve o primeiro filho. Gael, hoje com três anos, nasceu prematuro com 34 semanas e precisou até ser entubado.

"É muito triste. Não sabemos o que vai acontecer. Eu tive que amamentá-lo inicialmente com sonda. Ele ficou 19 dias na UTI. Com isso, virei mãe neurótica com todos os cuidados. Também procuro manter cuidados com higiene com meus filhos maiores em relação ao bebê", conta Sabrina, que também é mãe da Maya, que tem pouco menos de 1 ano e meio, e do Léo, de pouco mais de um mês.

Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior, gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e qualidade e infectologista do Sabará Hospital Infantil, alerta que o hospital, assim como outras redes de saúde estão com leitos lotados de crianças com doenças respiratórias, não somente o VSR.

"Para evitar o contágio, os pais devem evitar aglomerações para não expor crianças pequenos aos diversos vírus que existem no ambiente, sejam respiratórios ou não. Crianças com sintomas respiratórios, nas últimas 24 horas, também devem permanecer em casa. Vale consultar o pediatra sobre as recomendações, seja pessoalmente ou por telemedicina. Pessoas que estejam com sintomas gripais ou que tiveram contato com assuntomáticos nas últimas 24 horas também não devem visitar recém-nascidos", aconselha Oliveira Júnior, que reforça que, em caso de desconforto por secreção, os pais também devem aspirar a secreção para proporcionar alívio ao bebê e evitar agravamento da doença. Desta forma, é importante que os pais observem com bastante atenção o comportamento das crianças.

Para mais informações sobre o evento, clique no link https://eventosdigitais.live/evento/forumestadaothinkvsr.

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Veja o que fazer para reduzir os riscos de crianças terem bronquiolite e pneumonia

No Fórum Estadão Think, especialistas apontam que a amamentação, por exemplo, é um reforço imunológico importante para as crianças

Renata Okumura - O Estado de S.Paulo

Consideradas as épocas mais propícias para a proliferação do vírus sincicial respiratório (VSR), por serem as estações mais frias e secas, no outono e no inverno é mais comum observar o aumento de crianças internadas com bronquiolite e pneumonia. Desta forma, medidas preventivas e o diagnóstico precoce são ferramentas para evitar o agravamento do quadro clínico.

Pertencente ao gênero Pneumovirus, o VSR é um dos principais agentes da infecção aguda nas vias respiratórias. O vírus atinge brônquios e pulmões. Não há vacinação contra o VSR. Somente no caso das crianças prematuras nascidas com até 28 semanas de gestação ou com fator de risco como bebês com displasia broncopulmonar e cardiopatias congênitas, um programa do Ministério da Saúde oferta o palivizumabe, anticorpo específico contra o vírus sincicial, aplicado uma vez por mês durante cinco meses, antes do período de maior circulação do vírus, para evitar formas graves da doença.

Como a doença age no corpo

Em crianças com até dois anos de idade, o vírus sincicial respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 20% das ocorrências de pneumonia

A amamentação, por exemplo, é um reforço imunológico importante. Ou seja, o desmame precoce deixa a criança mais frágil. Além disso, em caso de pessoas fumantes, é importante evitar que a criança seja exposta à fumaça.

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“Viroses respiratórias têm sintomas comuns como tosse, febre, dor de garganta e coriza. No VSR, o que chama atenção é a idade do bebê – geralmente atinge com mais frequência crianças de até 2 anos de idade – e a dificuldade para respirar, sintomas associados à época do ano com predomínio da circulação do vírus. Claro que também existem testes para saber qual vírus acomete a criança naquele momento. Febre persistente e criança que não reage aos estímulos são sinais de alarme. Isso vale para todas as doenças. Crianças pequenas com quadros respiratórios precisam ser avaliadas pelos médicos”, orienta Renato Kfouri, pediatra, infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante participação na quarta-feira, 18, no Fórum Estadão Think “A bronquiolite e a pneumonia podem atacar até dentro de casa – evite que seu guerreiro tenha que lutar contra o VSR”, patrocinado pela AstraZeneca.

No caso da bronquiolite, as crianças podem transmitir o VSR por mais de uma semana. Mesmo após apresentar melhora, é importante ter atenção. Marco Aurélio Safadi, professor de pediatria e infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), salienta que em crianças menores o risco é maior de agravamento. “Uma criança com desconforto respiratório nesta faixa etária e que perde a capacidade de mamar tem fatores levados em consideração na avaliação do quadro clínico. Muitos casos necessitam de internação para oferecer assistência respiratória para o bebê”, destaca Safadi. “A hidratação é essencial neste caso. E vale reforçar a amamentação no caso do bebê que mama e até aumentar a oferta de fórmula no caso de bebês que não mamam no peito”, diz o professor de pediatria.

Fórum Estadão Think debate a prevenção a bronquiolite e pneumonia com Rita Lisauskas, Renato Kfouri, Rosana Richtmann e Marco Aurelio Safadi Foto: Alex Silva/Estadão

Segundo Rosana Richtmann, médica infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, Pro Matre Paulista e Instituto de Infectologia Emílio Ribas, os bebês prematuros estão entre os grupos de alto risco. “Os brônquios mais finos ficam inchados e o vírus causa secreção, obstruindo as vias respiratórias e a criança fica mais cansada”, diz.

Safadi acrescenta que outros grupos também são mais vulneráveis. "Crianças que têm cardiopatia, portadoras de doenças crônicas respiratórias, as que nasceram com encefalopatia e as imunodeprimidas são outros grupos que tentamos monitorar para evitar maiores riscos. No entanto, vale lembrar que em mais de 80% dos casos as hospitalizações e as mortes atingem crianças saudáveis de baixa e média renda, principalmente pelo fato de não terem acesso oportuno ao tratamento adequado", pontua o especialista.

De acordo com Kfouri, crianças maiores também podem ser acometidas, no entanto, o quadro é mais leve. "Crianças maiores e adultos quando adquirem o VSR apresentam quadros mais leves, pois tiveram exposições prévias à doença, diferente dos bebês até dois anos. Geralmente, os quadros voltam a ficar mais graves quando a pessoa se torna idosa pela imunidade do sistema imunológico", reforça o especialista.

Pais e mães que enfrentaram a doença

Em 2017, quando estava com 40 dias, o filho mais velho da apresentadora e empreendedora Rafa Brites começou a mamar e respirar com dificuldade. "O Rocco tinha pouco mais de mês quando começou a engasgar enquanto mamava. Ele sempre mamou bem. Comecei a ver que respirava com dificuldade, aparecendo até as costelas, na madrugada que teste para VSR deu positivo e foi internado na UTI neonatal", disse a mãe também do Leon de apenas três meses. Por dez dias, permaneceu internado sem receber medicamentos, pela idade, fazendo apenas fisioterapia respitória para melhorar o quadro clínico.

Mãe de três filhos, a jornalista Nanna Pretto do Blog Dica de Mãe, afirma que todos já tiveram bronquiolite. Gabriel, hoje com 14 anos, foi diagnóstico com VSR quando tinha 1 ano e 9 meses. "Em uma manhã, acordou mais gripado, respirando com mais dificuldade, observei que tinha algo estranho. Fomos ao hospital. A saturação estava baixa, em 87, e precisou ser internado por causa de bronquiolite. Ficou internado por quatro dias para se recuperar", relata Nanna, que também é mãe do Rafael, de 8 anos, que teve a primeira crise com dois meses. "Foi diagnosticado com bronquiolite. Foram sete diagnósticos no primeiro ano de vida. Não precisou ser internado", conta.

A Luísa, de um ano e cinco meses, teve a primeira crise aos dois meses. "A saturação caiu e ficou amuada e negando a alimentação. Precisou fazer raio x. Não precisou ser internada. Há um mês, teve uma nova crise. Foi diagnosticada com bronquiolite. E está sob tratamento em casa", relata Nanna.

Como forma de prevenção às doenças respiratórias, a atriz e jornalista Sabrina Petraglia procura manter medidas preventivas de higiene e controlar a vacinação de todos os familiares desde que teve o primeiro filho. Gael, hoje com três anos, nasceu prematuro com 34 semanas e precisou até ser entubado.

"É muito triste. Não sabemos o que vai acontecer. Eu tive que amamentá-lo inicialmente com sonda. Ele ficou 19 dias na UTI. Com isso, virei mãe neurótica com todos os cuidados. Também procuro manter cuidados com higiene com meus filhos maiores em relação ao bebê", conta Sabrina, que também é mãe da Maya, que tem pouco menos de 1 ano e meio, e do Léo, de pouco mais de um mês.

Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior, gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e qualidade e infectologista do Sabará Hospital Infantil, alerta que o hospital, assim como outras redes de saúde estão com leitos lotados de crianças com doenças respiratórias, não somente o VSR.

"Para evitar o contágio, os pais devem evitar aglomerações para não expor crianças pequenos aos diversos vírus que existem no ambiente, sejam respiratórios ou não. Crianças com sintomas respiratórios, nas últimas 24 horas, também devem permanecer em casa. Vale consultar o pediatra sobre as recomendações, seja pessoalmente ou por telemedicina. Pessoas que estejam com sintomas gripais ou que tiveram contato com assuntomáticos nas últimas 24 horas também não devem visitar recém-nascidos", aconselha Oliveira Júnior, que reforça que, em caso de desconforto por secreção, os pais também devem aspirar a secreção para proporcionar alívio ao bebê e evitar agravamento da doença. Desta forma, é importante que os pais observem com bastante atenção o comportamento das crianças.

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