STR/AFP
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Contra coronavírus, infectologia orienta que idoso não mantenha contato com crianças

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Entre os mais novos, vírus costuma ser assintomático, ou seja, sem sintomas perceptíveis. Confira outras dicas para proteger os idosos da doença

Guilherme Bianchini, especial para o Estado

10 de março de 2020 | 09h00

SÃO PAULO - A disseminação do novo coronavírus ao redor do mundo tem causado tensão em todos os continentes. De acordo com dados atualizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira, 9, há cerca de 109 mil casos confirmados da doença em mais de 100 países.

Para os idosos, em especial, o covid-19 é ainda mais perigoso. A taxa de letalidade do vírus é considerada baixa (entre 2% e 3%, segundo a OMS), mas o número sobe para 8% em pacientes de 70 a 79 anos e chega a 15% em maiores de 80 anos, conforme estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China. Relatório da OMS com base em dados de pacientes chineses apontou mortalidade de quase 22%.

Apesar de os riscos serem maiores para os mais velhos, especialistas afirmam que os cuidados necessários são os mesmos do resto da população, como lavar as mãos com regularidade e evitar grandes aglomerações. Luiz Roberto Ramos, geriatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também aconselha o uso de máscara para quem apresentar sintomas.

“Não há nada para tomar nem fazer de diferente. Precisa higienizar a mão e proteger-se com máscara caso haja suspeita. São cuidados de higiene. É bom evitar aglomerações ou lugares fechados com quem não conhecemos”, recomenda. Professor de Infectologia da Unifesp, Celso Granato faz um alerta doloroso para avôs e avós: afastar-se de crianças. O médico ressalta que o coronavírus nessa faixa etária costuma ser assintomático, sem manifestações perceptíveis.

“A forma de prevenção não é diferente do resto. Vai visitar alguém doente? Mantém distância, não dá a mão, não beija. Mas o idoso pode ter neto. Ficamos preocupados porque a criança se contamina com a mesma frequência do adulto, mas tem mais chance de ser assintomática. Recomendo aos idosos que evitem o contato pessoal com crianças. É melhor conversar com o neto por telefone ou por mensagem”, sugere Granato.

O cuidado no contato com pessoas próximas também é indicada por Adriana Nunes Machado, geriatra da Clínica Pro Vitae. “É preciso ter cautela com cuidadores e familiares que apresentem sintomas respiratórios”, diz.

Casos em asilos levam preocupação aos EUA e Espanha

Nos Estados Unidos, um dos casos mais emblemáticos de surto está ocorrendo em um asilo para idosos. Em Seattle, nesta semana foi confirmada a morte por doenças respiratórias de 13 pessoas, e um total de 65 funcionários apresentaram sintomas. Lá, não havia testes para avaliar se eram casos de coronavírus. 

Na Espanha, autoridades sanitárias confirmaram nove casos do vírus em um asilo, e um dos pacientes, uma mulher de 99 anos, morreu na semana passada. Em razão dos casos, os parentes dos residentes foram orientados a não ir ao local. Os residentes e funcionários passarão por testes e, por precaução, as atividades externas foram suspensas. 

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