Venezuela vê explosão de casos de malária e ameaça Brasil

Caracas impediu entrada de missão da Organização Panamericana de Saúde que tinha objetivo de entender a crise na fronteira

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2014 | 22h00

GENEBRA - A Venezuela coloca em risco os avanços do Brasil no combate à malária. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta para os problemas no sistema de saúde do governo de Caracas como um dos motivos para a explosão no número de casos do parasita nos últimos anos. 

O Estado apurou que, nas últimas semanas, o governo do presidente venezuelano Nicolas Maduro impediu a entrada de funcionários da Organização Panamericana de Saúde (Opas) no país, em uma missão que tinha como objetivo entender a dimensão da crise na fronteira com o território brasileiro. 

O Brasil e outros 54 países pelo mundo estão no caminho de reduzir a incidência da malária em 75% até 2015, em comparação aos dados de 2000. Mas a OMS alerta que os avanços no Brasil e em outros países da região estão ameaçados. 

Em 2000, cerca de 200 mil novos casos de suspeita de malária foram registrados na Venezuela. Em 2012, esse número já era de 410 mil e, hoje, chega a mais de 475 mil. Desses, 78 mil foram confirmados.

Para Pedro Alonso, diretor da OMS para o combate à malária, problemas no serviço de saúde do país e ainda o fluxo de pessoas por minas de ouro no sul da Venezuela tem colaborado para esse aumento que foge a toda a tendência mundial e mesmo da América Latina.

Questionado pelo Estado se essa alta na Venezuela poderia representar um risco ao avanços no Brasil, o executivo da OMS afirmou positivamente. "Sim, é um risco para toda a região", declarou. "Os dados são alarmantes", disse. 

À reportagem, fontes da entidade regional com sede em Washington confirmaram que as autoridades venezuelanas tem impedido a entrada de técnicos até mesmo da Organização Panamericana de Saúde para avaliar a crise. 

Entre os técnicos, a mensagem é clara: o mosquito não vai parar na fronteira entre a Venezuela e o Brasil. 

Incidência. No caso brasileiro, apesar dos esforços públicos, o País ainda não atingiu a meta de reduzir em 75% a incidência de casos. Hoje, 42% dos números de novos casos da malária nas Américas são registrados no Brasil, contra 18% na Venezuela. 

De uma forma geral, porém, a América Latina tem registrado importantes avanços. A região passou de 1,2 milhão de casos confirmados em 2000 para 427 mil em 2013. Desses, 178 mil eram brasileiros. Mas os números de suspeitos no caso brasileiro chega a 1,8 milhões. 

Depois de destinar US$ 100 milhões em apenas um ano para o combate à doença, o Brasil reduziu em 2013 seu orçamento para US$ 72 milhões. Ainda assim, os valores são bem superiores aos US$ 48 milhões destinados em 2004.

Nas Américas, 13 países já atingiram a meta de reduzir em 75% o número de novos casos. A OMS ainda comemorou o pedido inédito da Argentina para que receba o certificado de país livre da malária. Costa Rica, El Salvador e Paraguai também estão próximos de acabar com a malária em seus territórios. "Os países estão eliminando a doença", declarou Alonso. 

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