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Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

Ventiladores desenvolvidos pela USP ajudam hospitais do Amazonas

Projeto cria equipamentos respiratórios de baixo custo; professor da Escola Politécnica viajou para Manaus para treinar intensivistas

Érika Motoda , O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 14h00

Depois de uma semana visitando hospitais em Manaus, o relato que mais marcou o engenheiro Raúl Gonzalez Lima foi o de que quase 30 pessoas foram ambuzadas durante uma noite em uma das unidades de atendimento a pacientes com o novo coronavírus na capital do Amazonas, cujo ápice da crise aconteceu no último dia 14 com o fim do estoque de oxigênio. 

Ambuzar é a expressão usada para o procedimento por meio do qual um balão de oxigênio é bombeado com as mãos, exigindo revezamento constante por ser exaustivo. “Precisa de uma tensão muito grande. Você não pode espaçar, senão o paciente fica sem oxigênio no cérebro, nem exagerar na força, para não danificar o tecido do pulmão”, afirmou Lima, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores do Projeto Inspire. Essa iniciativa foi responsável por desenvolver equipamentos de suporte respiratório de baixo custo e livres de patente que são fabricados atualmente em parceria com o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). 

No dia 15, o governo de São Paulo e o Comando da Marinha anunciaram o envio de 40 respiradores Inspire à Manaus, e Lima foi treinar os intensivistas. Os equipamentos foram transportados em um voo da Latam Cargo Brasil, por meio do programa Avião Solidário. A Marinha informou que 23 respiradores haviam sido distribuídos aos hospitais da capital até a noite de sexta-feira, 23. 

Como a maioria das UTIs já é equipada com respiradores, os aparelhos desenvolvidos pela USP geralmente são destinados a outros setores. No Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas, por exemplo, os ventiladores vão para as salas de emergência da enfermaria para que possam ser utilizados prontamente em caso de emergência. 

Desde agosto – quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a produção do suporte respiratório – até hoje, foram fabricadas cerca de 120 unidades. “Esse número pode parecer pequeno, porque esperamos durante três meses os lotes de equipamentos chegarem. A produção foi lenta. Enquanto isso, usamos o estoque antigo para montar esses 120 ventiladores”, disse Lima. 

A quebra da cadeia de suprimentos foi a maior de 19 anos e atingiu 14 dos 19 segmentos da indústria até novembro. Muitos componentes do ventilador vêm da indústria automotiva nacional. Nessa época, contou o engenheiro, o custo para produzir um ventilador chegou a R$ 4,7 mil por causa da alta do preço dos insumos. “Uma tela touch tinha o valor de R$ 700 na época. Poucas semanas depois, essa mesma tela valia R$ 30. Isso é uma fotografia da época da quebra de suprimento.”

A produção deve “deslanchar” agora com a chegada dos componentes e ele espera que o ritmo de produção possa aumentar. Atualmente, está entre 25 e 50 suportes respiratórios por semana. 

“Torço para que a vacinação seja mais efetiva, abrangente e rápida possível. Entretanto, nossa proposta enquanto especialistas em ventilação mecânica é estarmos prontos para qualquer situação", explica o professor. "O problemático é não produzir achando que não vai precisar, isso a gente não pode fazer. A gente pensa em um cenário realista e trabalha com isso. A gente pensa: se esse ventilador não for usado, melhor ainda. Quer dizer que não faltaram ventiladores no Brasil. Não é o caso atual. A demanda está considerável e, a curtíssimo prazo, ela deve aumentar.”

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