Ver pessoas fumando afeta cérebro de fumante, diz estudo

Em um estudo recente publicado na revista Neuropsychopharmacology, pesquisadores do Instituto Neurológico de Montreal (MNI, na sigla em inglês) e do Departamento de Psicologia da Universidade McGill descobriram que, quando as pessoas esperam fumar em um futuro próximo, fatores externos, como ver alguém fumando, afetam seus cérebros mais do que a vontade que sentem ou o tempo que ficaram sem fumar. Vinte fumantes saudáveis recrutados para o estudo foram divididos em dois grupos: "expectante" (podiam fumar logo após o teste) ou "não-expectante" (só poderiam fumar quatro horas depois). Os pesquisadores escanearam os cérebros de cada indivíduo para apontar as áreas que estavam ativas enquanto os sujeitos eram expostos a cenas que remetiam ao cigarro. No grupo que esperava fumar imediatamente depois, as áreas do cérebro implicadas na estimulação, atenção e controle cognitivo foram ativadas. Nos sujeitos que só poderiam fumar quatro horas depois, quase não houve resposta neural aos estímulos, mesmo se o indivíduo reportou uma grande vontade de fumar. "Nossas descobertas confirmam a importância da expectativa na resposta neural a esses estímulos, e dá suporte à teoria de que esses estímulos ativam áreas do cérebro implicadas na estimulação e atenção, particularmente o córtex pré-frontal dorsolateral, que está envolvido na regulação e planejamento de comportamentos de evitar ou procurar drogas", disse Alain Dagher, neurologista. Embora os fumantes tenham sido avaliados em situação de abstinência e não abstinência, esse fator teve menos efeito nos níveis de ativação cerebral quando comparado com situação de "expectante" ou "não-expectante". Além de revelar essa importante característica do desejo de fumar, Dagher disse que o estudo "também tem um impacto no tratamento do vício em nicotina, pois a pesquisa esclarece as diferenças entre as pessoas que podem e não podem controlar seu desejo de fumar". Segundo o cientista, as pessoas que param de fumar podem esperar, cedo ou tarde, uma exposição a outros fumantes, ou a situações em que elas anteriormente fumariam um cigarro. Essas exposições têm um efeito ativador no cérebro, que pode levar a uma recaída. "Não apenas descobrimos que os fumantes expectantes estão mais suscetíveis aos estímulos visuais, mas essas descobertas também sugerem que o estresse, álcool ou qualquer coisa que interfira no córtex pré-frontal pode predispor as pessoas a uma recaída", disse.

Agencia Estado,

20 de abril de 2006 | 19h09

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