J. Box/ESA/Divulgação
J. Box/ESA/Divulgação

Verão mais quente pode diminuir velocidade de degelo na Groenlândia

Cientistas descobriram processo de 'drenagem subglacial' que se torna mais eficiente com temperaturas elevadas

estadão.com.br,

27 de janeiro de 2011 | 11h43

SÃO PAULO - Uma pesquisa, que usou dados do mais antigo satélite ambiental da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu que verões mais quentes podem, paradoxalmente, diminuir a velocidade de degelo das geleiras na Groenlândia. O estudo foi publicado nesta semana na revista Nature.

 

O aquecimento global e seus efeitos sobre o gelo que cobre a ilha dinamarquesa são bem compreendidos pelos cientistas. Como nas calotas polares, o degelo nessa região ocorre mais rapidamente a cada ano que passa, em parte devido às temperaturas cada vez mais altas que derretem o gelo.

 

O que ocorre no processo de degelo é que, a água derretida da superfície se infiltra por rachaduras, com a ajuda do vento, até alcançar a rocha-base da geleira. Neste ponto, a água se torna uma espécie de lubrificante, fazendo com que a camada de gelo deslize mais rápido para o mar.

 

No entanto, os pesquisadores têm dificuldades para construir um modelo matemático que faça uma previsão da vazão de água durante o verão, gerando incertezas sobre as projeções sobre o aumento do nível dos oceanos.

 

As observações realizadas com o satélite ERS-1, que completará 20 anos em órbita em julho, sugerem que o sistema de drenagem interno das geleiras se adapta para acomodar uma maior quantidade de água, sem aumentar os deslizamentos da geleira.

 

Dados do ERS-1 mostraram que embora o aumento no degelo fosse similar em todos os anos, a ilha apresentou uma diminuição dramática nos anos mais quentes, quando havia mais água de degelo. Os pesquisadores associaram essa observação a uma drenagem subglacial mais eficiente durante períodos quentes, processo que já é observado nos Alpes.

 

A equipe utilizou medidas das geleiras da ilha de 1992 a 1998, o que inclui um dos verões mais quentes da história da Groenlândia, em 1998.

Mais conteúdo sobre:
aquecimento globalGroenlândia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.